terça-feira, 20 de agosto de 2013

Guarda roupa de memória


Ainda preso pelos fios
da roupa recém comprada
-indago:
Pra onde vou se não mais me couberem?
Os fios coloridos, um a um
mão a mão
textura por textura,
mergulho-mim:
E quando estiverem fortes demais para eu rasgá-los,
posso deixar parar de crescer?
Nessas estranhas amarras
postas pelo ar cruel
das roupas vencidas
reintegro:
O que fazer com a grande quantidade de tecidos?
A primavera nem sempre é sustentável,
é necessária a mudança das sementes, flores e inclusive roupas,
é necessária as vistas para a mutação continua
fluxo mais puro que desagua em sorriso
ou no pior dos sentidos em lamúrios sofridos...
É necessário ser forte para deixar as asas arrastarem no chão
para depois decidi-las cortá-las ou não.
É necessário ser ave
e ficar para ver o espetáculo da vida
que passei e decidir carinhosamente chamar
de muda.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Flor de café

Mistura-se ardorosamente
com o cheiro que vem
com a música que toca
com a chuva que ainda não caiu,
Misturo-me por entre todas as coisas
apertadas e inclinadas
que ainda não dei nome
que ainda procuro conhecer
que ainda não chegaram com o vento que sopra.
Junto com o mesmo vento
misturo-me com a sopa, esta quente
queima-me a boca
que mais tarde
tende
a implorar, seu café
meu afagar
nosso encontrar.
De tão sumido
perdi o tom
as chaves de casa
e o almoço de um só,
voltou.
Espero misturar-me até o fim
até o nó
até  ser um só,
espero que seja doce
um pouco amargo
quem sabe, rara,
nossa flor de café!