sexta-feira, 25 de março de 2016

Do fundo da minha memória

Vi uma pianista
nua
Na beira da escada.
Pela sacada, encatava a seco
o maestro
E seu jazz tocado ao avesso.

Em seu vestido
Nota-se:
ônibus
drogas
localização
E fuga.

Tinha um encontro,
no braços, cortes.

As duas. Linda, linda.

Tinha mãos, pés, braços e desejo.
Tinha tesão, nojo e um pouco de medo.
Tinha rosto, gosto, busto e peitos.
Tinha sonhos, traumas, apelo e segredos.

Ao certo ninguém nunca soube.

-Ninguém nunca sobe!

Ninguém nunca saberá.