quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Ingrid Medina

Ela anda de um lado para o outro dentro dela.
Olha dança pula agita
corre cresce samba apita
E ainda sim, está confusa
com um tempo inteiro à sobrar.
A parte dela artista grita
a de menina ensina
de mulher observa
e ela?
Ela, tem pressa.
Não é dessas
nem daquelas
não pertençe ao apreço
ou ao descaso
é das gerais menina
sendo boneca bailarina.
És a que meu olhar fita
para quem o trem apita
a linha que sustenta a pipa
uma florsinha ainda não inventada.
Sim, ela é Ingrid
para os distantes ingrime
presente para
tropeiros palhaços amantes
és a bela paisagem
aos visitantes de Medina.



segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Maré[lo]

Corro à beira
beira-mar
beira que par.
Esquivo-me
não canço
mostro rosto
às vezes danço.
Nesta corrida
quase sempre canto
ao seu cantar
em meu canto.
Sabe que pensei em dizer?
ainda não sei bem
pra quem,
seria meu bem?
A estreita divisa
a estranha visita
a perda que em mim ainda berra
deflagra um gosto oposto,
guardado em sereno esconderijo
guardado para nosso encontro querido amigo.
Meu vento
[não ventre]
guia-me por aí
leva meus cheiros
e a noite 
volta a me cobrir,
para que mais tarde eu sonhe
com seu labirinto incerto
pequeno incerto...
Não temerei mais o futuro,
não temerei mais o escuro,
não temerei viver
neste mar de Helena.
Meu veneno não escorreu
não saiu
nem encolheu
está guardado no mesmo lugar
que os versos acima tentam apontar,
No fundo, esta confissão
são segredos do meu coração
segredos meus, 
segredos que não abro mão.
No fim,
acho que só estou cansado
não mais machucado,
não mais empurrado pela maré
que criei de pé.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Frutos de Jú

Vem dali ou de cá
tanto faz
não importa mais,
há um pequeno ser
que crescerá por você
não saberá ter
a confiança sem te ver.
Passarinhos darão-lhe medo
se por ti ele não caminhar
carneirinhos serão o segredo
quando tu, ensinar-lhe a contar.
Nesta sua nova jornada
de mãe ele lhe chamará,
como amiga vai ti contar
os males que o aflige,
ainda que,
tu por tamanha proteção
não entendas...
Ouça, este é o seu mais novo som,
o silêncio abrigado no sorriso
sorriso de leite,
meio frio meio quente,
meio filho meio crescente.
Repararás agora, 
em passos largados no espaço
olhares lançados e desperdiçados
o acenar de um futuro:
meio seu meio confuso
meio sorrindo meio estranho
meio seu meio do mundo
meio filho meio vizinho.
Esta sua nova vida
digo, esta nova condição
refere-se o que de mais puro
temos no coração,
refere-se a vida por entre o vão
dentro de um verdadeiro vulcão,
a alegria descontida e as lágrimas pela partida,
refere-se a condição do seu ser-humano natural,
puro, alegre e angelical:
O seu mais novo amar incondicional.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

GRITO NÃO!

Dentro do limite
nosso abismo próximo
choro longe
mesmo cansado
os olhos deflagrados
abertos
mas também fechados
não saem mais as ruas
não ficam no escuro
com medo de chorar
fogem
sem rastros
à deixar
sem pegadas
à se reparar
apenas saem
sem sair do lugar.
Meu olho
por teu gosto
meu gesto
por seu feto
meu pulsar
pelo seu não mais enganar
seria possível?
Penso ser cabível
dentro de ti
fora de mim
em paisagens montadas
cavalos galopantes
por galápagos
ou oceano atlântico,
por assim afirmar
voar,
por assim eu me mostrar,
gostar.
Nem sei o que escrevo
nem sei se sou marcado
há recados
deixados, extornados
perdidos ou achados
pra mim?
Sinceridade sua
choro meu
sua criança brincou na chuva
meu velho não percebeu
este corpo cansado
estirado no espaço
sem vãos fechados
ou turvos clarões
diz NÃO!
NÃO
ao pouco que tenho recebido
NÃO
à todos os seu pedidos
NÃO
aos seu tolos sorrisos
NÃO
à esse amor de menino.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O teatro ficará sendo seu pão
A literatura tua água 
Os mais belos quadros tua visão
                                                                      E a dança[...]
                                            
  ESTA SERÁ PARA SEMPRE SUA ROUPA [mais] ÍNTIMA...

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Soneto por ti

Despir-me-ei para cru estar
apresentar-te
revelando-me
sumindo para chegar.

Tratando-te por si no aqui
invertendo-me por negar
um não mais
sim para amar.

Estranho tu és
não esquivas ao receber
mesmo sem você ver.

Estranho nos tornamos
quando enfim nos tocamos
sem perceber.




"Não consigo entrar. 
Não sei o que se passa. 
Tão diferentemente perto longe. 
Tão conflituoso amante. 
Risco toda a pele por um vão, 
meus riscos gritam;

SUA PELE NÃO... "

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

É isso

Hoje é dia de riscar
riscar a alma de vermelho
vermelho sangue para ressaltar
seus olhos feito outono
ou sua boca primavera.
Correr pra atrás
voltar à frente
sofrer assim
mostrar-se enfim
carrego-te aqui
sem ser afim
sem esperar um fim
apenas carrego
sem útero
apenas espero
sem lucro, padeço.
Padecer porém
condição inerte
pobre fraca inútil
não me faz bem
e por isso vou riscar
sujar sua alma com meu vermelho outono
para que você arrisque minha boca
com sua primavera.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O que estou fazendo?

Não adianta negar
vou te pegar
você, me usar
azarar-nos
sendo assim tão amigos
pobres meninos
apenas confundidos
que querem brigar
para esconder o gostar
meu gostar
seu gostar
nosso gostar
resultando em nosso maior talento
brigar
ressaltando a minha forma de brilhar
meu show particular.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

TATO PARA TATO

Tato para quem tateia
Tato caía na teia
Tato para quem está presente
mais tato para esse mar de gente.
De tato em tato
a mão se faz segura,
em meio há tantos,
há tato que não se usa.
Se Tato triste fosse,
seu neguinho seria ao acaso
teríamos meninos  revirados
e poxa a vida inacabado,
mas tato
tateando
até riscar,
É Tato, para pele tatuar
Tato artista de ego oposto
é Tato de sorriso exposto.
Seria tato de palco moço
ou tato artista de todos?
Seria o tato presente sentido?
Não,  és Tato presente amigo.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Brisa que leva, brisa leve

Denunciado pela leve brisa
essa que grita
risca e agita
aponta a testa
escorre pela barriga
e não para
encara
repara cada fresta
cada mão dada
cada mão boba
cada cabeça oca
todas as casas tortas
que agora já não importa.
Leve brisa que ainda risca o rosto
deflagra o oposto
expõe feridas
acalma os ossos e talvez um moço.
Corra com a brisa do reino
não pare
não lamente
exponha mais
deduza mais
deduzir é bom
comer acalma
ainda que não seja pão
ainda que não seja limpo
ainda que não espere
ainda que não haja rio
apenas coma e não morra faminto.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

 22

"Ele têm marcas no rosto, 
rosto 22.
Ele espera por um amor
mas não come feijão com arroz..."

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Mórbido.

Não posso seguir
continuar é falho
a cidade está crua.

Será que não entende
tratas do futuro
não tratando-me presente.

Nesta ânsia
perdida por encontrar
nego-me abrigo.

Em meus escritos
discos perdidos
não há mais menino.

Entretanto
cabe ressaltar
que faço-me de lar.

Dando adeus aos meus
aos seus
à tudo que não prestar.

Tenho sonhos nebulosos
pesadelos apaixonantes
um eu distante.

Com esta reviravolta
com a carne exposta
não digo, penso em voltar.

Anjos amantes querubins
flores frutas assim
são erros além de mim.

Portanto, não me procure
não me olhe
não me chore...

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Amor é...

Os amores que vem, levam consigo um eu do passado, compara um "nosso" não mais presente, invade e desvenda emoções guardadas em tênue esconderijo.

Que culpa tenho se dos trópicos, herdei apenas o frio e as lamentações? Que culpa tenho se, as cores fogem e essa alegria
descontida não chega-me?

Carrego em meu íntimo, que o amor é a
expropriação de tudo que escondemos ilegalmente. 
Uma condenação à quem tanto procura simetria. Uma libertação à quem vive. Um despertar cheio de nós...

"Em pé, com pé, sem fé, do mar, pro mar, sem fim, enfim:

Eu; Diego para ti..."

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Seria, se ria

Seria criatividade,
tamanha crueldade,
cometida por ele?
Seria a fala
nossa póstuma santidade,
falha?
Seriamos nós,
um erro travesso
meninos em desespero 
pela falta de aconhchego?
Se ria
seria
se riamos 
seriamos
mas sem se
não ria
e sem ria
você perde,se!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Esboço por teu olho

És linda face
pinta cara
que quando cara pinto
de muito longe
mostra espirito.
És toda sua
uma linda mistura
com tantas rugas
pertencentes
indecentes
de gente
por mais gente.
És uma só viagem
de puras paradas
pulgas estradas
hotel sem lavanda
e para almoço 
Piranhas.
Sou todo oposto
cravado ao te olhar
riscado em seu rosto
pede-me calma
dou-te meu gosto.
Que tu se escondas
levando-me em suas asas,
Porque
Se sou,
sou por ti,
sendo assim,
és por mim.
Já que
Dormindo estamos juntos
acordados por aí
Seremos uma só carne
para um mesmo sono...


terça-feira, 24 de julho de 2012

Então...

Então é isso, vamos tentar caminhar sozinhos.
Você não sorri com minhas piadas, não fala mais em cartas, já se contém à me beijar. 
Não sou mais seu príncipe, não morarei mais em seu castelo, 
vou embora e quanto as roupas, jogue fora, agora!
Não há mágoa, não há felicidade. 
O que há porem é um enorme vazio cheio de nada, 
cheio demais das coisas que você me deu, me tomou, e sem, mas ainda contendo, fiquei. 
Marisa não canta mais, ou melhor, canta, mas agora me encanto sozinho sem saber como farei quando ouvir "esqueça". 
Não, não se esqueça! 
Lembre-se de tudo, torturarei-te até que você perca cada neurônio de seu intelecto tão aguçado, com apenas algumas palavras:

"Eu poderia ter sido seu princepezinho, você minha flor.  

Teríamos um reino e seríamos felizes, 
mas ao invés disso, você simplesmente escolheu ser só fazendo-me de pó."

terça-feira, 17 de julho de 2012

Voltei

Sou todo avesso
corro 
mostro-me
mas nunca inteiro.
Sou todo exposto
por pele
cabelo 
ou rosto.
Não me arrisco
mas parado também não fico
não sou do rio
e ainda sim
posso afogar-te em mim.
Conto-te meus passos
rabisco os inventos em contos
mostro-te meus dentes
e como serpente
tu me picas
que pinica
que coço
que dói
que dó.
Sou todo menino
arisco
indeciso
frágil e decidido.
Quase inteiro
quase acabado
sou seu quase pulsar
seu inteiro imitar
o seu domdeamar.

segunda-feira, 2 de julho de 2012


Do Reparar


São doces, rosas avermelhadas

a timidez nitimida

em sua face é marcada

a rosa

em teu cravo, me encanta.

Agora;

quando sorri turvo

saindo de lado

de qualquer espaço,

tenho a certeza que gosto.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Aos fatos

Grito com coragem
a ousadia da rapaziada:
BRAVO!!!
Mas para eu, ainda é nada.
Na condição de olhante
de fora e avesso
não sirvo para isso
soa-me desespero.
Por querer aparecer
mostrar o que não tem
sem crescer ou morrer
sempre dizem amém!
Pobres garotos encenadores do passado
escondem-se no palco
perpetuando o legado.
Agora,
por mais que não gostem 
terei que repetir:
ACORDEM,
Ou terei que com a Fiócla
todos engolir...


"E se essa vida fosse minha, não temeria. Experimento tudo que posso e o que não der certo, arrisco no próximo. É verdade que não tenho muita paciência para ver qualquer coisa. Gosto das mais complexas, essas me encantam, como aquele casamento fabuloso..."

Mamãe Papai Vila - Eu Menino Via

Eu, criança arisca
brincava corria e comia
Mamãe o banho dava
noutra criança atentada.
Tinha pai
mas sem pai
o amor acontecia.
Era um vasto quintal
Mãos pés rosto
tudo afundado em barro.
Que bom era ser
em minha época garoto!
Todos limpos
Mãe Pai Crianças e Amigos
agrupados à celebrar
os encantos do luar,
Quem estava lá via sorriso
eu de cá,
hoje lembro rindo.
A lua se pôs 
a noite era de carta
Papai 
brigava
Mamãe
Chorava
E eu
em um canto
pela fresta olhando
tive medo:
Medo do alto tom
do escuro daquele momento
dos olhos de mamãe
do adeus de papai
que sem pai
amor 
por nós não tinha.
Assim dias depois
ele se foi
juntou as memórias da vida
na mala de minha tia.
É
o menino que em mim hábita
hoje se lembrou
e para tal vida na vila
ele retornou.


"Quando criança,  
queremos do muito saber, 
sem muito entender. 
Ontem por exemplo lembrei-me de um fato. 
Ele, o fato, escorreu pelo meu braço 
e desaguou em azul no caderno. 
Gosto deste tipo de escrita, 
desta que mostra alma e revela antigas feridas."


Do dois de um, daquele meu um para dois.

Ninguém chora sozinho
todos temos um cantinho
um lugar para pensar
no por que ser dividido.
Digo dividido 
pelo simples motivo
de amar por todos
ainda que torto,
pensar em dobro.
A escrita de um silêncio
desvenda o querer crescendo
o despertar de uma vida
que volta ferida
pelo encontros de dois 
que nunca chegou.
Tem dias que o vazio é constante
mesmo que um ame
há outro sempre distante
tem dias que eu tranco a porta
e o que eu quero
é estar de fora.
Ninguém pode amar sozinho
mas às vezes
pelo caminho choro,
por estar sempre
perdido...

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Longer

Si vous tombez se lever
ne sera pas par
Je déteste quand vous parlez
sonne faux pour moi
incorrect
en effet
immorale.
Em meus cadernos
 
"Tenho escrito coisas feias, de um garoto mau. Não as revelarei por aqui, mas estão comigo e disponíveis para quem quiser ler. Há coisas feias sobre os outros, coisas muito feias sobre eu e coisas terríveis sobre o mundo. Há muitas coisas feias, há coisas até sobre o nosso planeta!"

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Carta aberta

E enquanto você pensa no seu agora, desespero-me por quem está fora. Nunca conseguir ler seus traços, rabisco dados na janela, tempo perdido à espera! Lembro-me dos nossos primeiros papos, desconfiava que se tratava de um fraco, mas não, hoje sei que não passa de covardia. Covardia juvenil talvez, mas pesado demais para alguém que procura intensidade em qualquer mentira verdadeira. Tenho na verdade milhares de mentiras para te contar, continuar contando-lhe. Se este seu ouvido parasse para escutar, as várias verdades disfarçadas de pequenas mentiras arisca que eu jogo no vento para qualquer pescador, saberia que esta conversa pertence-te. Não mudo, não corro, não sou dos outros. Não te incomodarei, tocarei, não serei avesso. Esse desespero de tentar te entender, entender seus passos, caminhar por teus espaços entre os abraços, afoga-me cada vez mais e mas é o que procuro, um porém para tentar não te abandonar...

sábado, 9 de junho de 2012

Acorde
Eu não gosto do teu cheiro
Não gosto do teu sorriso
Eu não,
Gosto de ser livre.
Não gosto da tua postura
Eu não gosto da tua garganta
Eu não, 
Gosto da ruptura.
Não gosto desta veadagem
Não gosto do hétero pela metade
Não!
Gosto do todo sem uma única verdade.
Irrita-me esta classe
Dos hipócritas
Que calam nossa vaidade.
COMO SÃO TOLOS OS QUE NÃO DESPERTAM.
Já disse que, não gosto?
Repetirei;
Eu não gosto de tu, que dormes
Então, ACORDE!!!


"Um olhar meu á uma reportagem da TV."

Pegou em suas mãos como se fosse enxada
Se arrumou depressa como se não restasse tempo
Passou em seu quarto sua colônia barata
Atravessou a sala sem se quer uma fala
Mulher e filhos não o abraçou.

Olhou para os dois lados  ao cruzar a rua
fechou seu esbelto corpo quando pisou em falso
Deu uma gargalhada ali na virada.

Preencheu seu cartão na lotérica mais próxima
Saiu de lá achando que ia ficar rico
Avistou seu patrão chegar em seu carro esnobe
Encheu seu olhos d'Água ao lembrar que é pobre.

Colocou seu uniforme para ganhar o pão
todos os dias aquele pobre rapaz
Ajoelhavas se para pedir perdão.

Saiu do seu serviço todo revoltado
descobriu que de lá havia sido dispensado
Desesperou-se ao lembrar dos filhos
Chorou feito criança em dia de batismo.

Não sabia como ia falar para mulher
Apareceu na cozinha com a marmita e o talher
-Sente-se. Disse sua mulher.
Logo ele respondeu:
-Não, estou bem de pé.
Na face uma lágrima lhe escorria
Nas mãos não haviam nada para o jantar
Chorou mais uma vez, como se fosse crisma.

A pobre da mulher que ainda não sabia
Cozinhava as últimas batatas como iguarias
A mesa no jantar, ele desabou.

A mulher que chorava não acreditou
Os filhos vendo tudo, nada entenderam
A carta em seu bolso, no chão se fixou
A esposa pôs se a contar:
O pobre do marido fez da casa seu lar
contava com seu salario para esta divida quitar
Mas demitido foi e desesperado
O peito do rapaz trabalhador parou
No chão da sala de jantar
seu corpo ficou
Morto
Por um patrão
explorador.

Aos filhos de Abraão


Quero um tempo, não posso te roubar assim. Não sei se foi o vento que revirou os pensamentos ou somente a brisa da estação, sei que fiquei assim, saudoso deu, de um tempo para mim. As ruas desertas, os rápidos carros que vão e vêm, as meninas criando suas vidas em outras vidas, lembrarão-me de uma vida que já quiz esquecer um dia, a vida que deixei embalada para correr atrás de sonhos que, hoje são tormentos gostosos de um cotidiano inerte. Sinto que aprendo mais, à cada surpreendo-me com mais, mais de eu, de vida, de um pulsar que não imaginava existir. Sim, há vida naquelas ruas de pedras que parecem ser minha cina. 

Corrida inútil contra a ampulheta, assim defino minha estadia neste vão, na lacuna mal preenchida que um dia chamei de corpo. Não posso me desfazer do que hoje, é o meu instrumento mais próximo de Deus. Escuto o clamar dos anjos, estes tortos, não me escutam, não voam, não me deixam ir. Ando com a pressa de um exercito pronto para batalha, talvez perder seja o objetivo da noite. Sempre me encontrei de maneira muito segura, sabotava-me para não enxergar o processo que teria que viver, aprender e não estar certo. 

Esta noite, pela primeira vez, estou cego para o que me cegava, livrei-me das lâminas azuis, das fitas escondidas, e  dos vários diuréticos. Meu real peso não está na balança, não está nas roupas usadas, não está em minha mente. Infelizmente, meu peso, assim como minha estatura, estrutura ou paz interior está em sua boca, esta que por vezes já quiz invadir e fazer de minha. Sou as suas palavras personificadas, reflexo de seu espelho mais íntimo, ainda que, este minta para te mesmo. 

Ando pedindo esmolas aos filhos de Abraão, estes que por vezes são tão generosos, não me atendem, se quer deixam que eu fale. Sou o mendigo prospero de seu natal passado, aniversário de cristo, morto pelos incrédulos da terra santa. Sou o sinal de uma vida em ruínas, de uma metafísica esquecida, das palavras mal posicionadas, ou seriam intencionadas? Perco-me no entender da fé, na recusa da fidelidade, na traição de uma natureza própria, sim, eu sou aquele que, tu temes conhecer.

Não finja fazer parte de minha intimidade, tentando arrancar-me verdades, forjando uma lamentação que nunca existiu. uma dó de plástico irreciclável, deixe-me ser esquecido, assim como tantos Domingos, todos sempre só e sombrios. Não fale-me de luas ou estrelas, não repita-me versos de trepadeiras, eu não aceito a sua condição, do meu mundo eu não posso abrir mão. Seria falho, feio ou bizarro, deparar-me com sonhos alheios, impostos à eu. Eu não seria capaz de conviver com tamanha frustração.Então peço-lhe, encarecidamente que vá, atravesse a porta que nunca existiu e que me deixe só por esta noite. Só para pensar, errar, mendigar. Só para poder viver uma única vida, falida é verdade, mas minha.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Despedida escrita

Não sei se você percebeu
em verdade creio que você não tenha lido
os últimos fatos ocorridos.

saí de casa, estou na Lapa

Por favor não me procure
Finja que nunca te encontrei.

Cansei dos seus artifícios
dos pedidos de sacrifício
Da alta madrugada sem alma.

Com certeza ficarei bem
estarei forte para a próxima
no momento, só quero que vá embora.

Quando pensei em você
esqueci das promessas de despedida
aí lembrei da antiga vida.

Não posso me trair
ou me trancar
Não posso me perder, é hora de largar.

Lembro-me dos passos dados no ar
risos desconfiados em mar
cura ao mal do amar.

Mas não posso ficar
não tem outro jeito
terei que não chegar.

A antiga poesia me enfraquece
tira os moldes
te enobrece.

porém a mentira contada
partida ficada
revela a lástima.

não posso ser seu
Afinal;
não poderia ser de quem nunca foi meu!

terça-feira, 29 de maio de 2012

Mente sã, esquecer é tarde...
 
Eu cantei nossa história, arranhei os seus cd's
Já marchei nu em lua cheia, dancei sem você ver
Em seus entristeceres, bebi seu não querer
Onde estas, vem me-ter?

A quantas andam nossos passos, os beijos que se perderam?
E aquela insanidade, vamos deixar perder?
No espreitar conjunto, à cada esquina nos perdemos
É o açoite do presente, o início se desfazendo.

Esse sangue, meu amor, meu bem, seu provocar
Seus olhos, meu andar, seu querer misto, sei lá
Nossas unhas, que arranham, a garganta, é um vício
É restar do bem, viver de alguém, comer sem ser omisso.

Quererás o céu em teu mar
O sol da estranha chuva
Os beijos do azedo gostar
Se tornarão, nosso passado amar!
Atenção à Dirgni
Nos olhos 
há o amor da vida
amargado pela fita
que prende 
represada menina
cercada 
por vários lírios
e muitas doses de outros.
O Juízo 
é sua cela
condenação íntima;
Pobre menina 
de fitas no cabelo,
revele-te
ou morra seca...

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Caminho só
 
A nostálgica poesia é uma vida entre linhas
Sejamos meninos ou meninas
Não basta ser, tem que comer até o último pedaço de pão
Ser dos outros eu não topo, de mim agora não abro mão.
Podemos caminhar por aí, sei lá
passear por belos jardins, e em flores viajar.
Seria sonho, um mundo livre para podermos nos encontrar
Mas se este mundo não vier,  force nossa hora?
Eu cansei de ser só, hoje brinco longe dos nós
Nós malvados que machucava-me sem pena
Ironia, hoje relato tudo através da mesma
Não sei quanto tempo é redondo
Nem sei falar sobre o vermelho de Marte
Mas essa saudade, que invade
Anda flertando com meus pensares covardes
E se revela forte e pronta:
Para buscar a verdade.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Meninas que lembram amigas


Há tanta beleza do lado de cá
as marés se encantam
os pés dançam
aqueles lábios se encontram.

A fragilidade da menina
canta na boca da mesma
é desrespeitada por meninos
Defendida é pela mãe.

São tantos casos
contos raros
das meninas crescidas
que encantaram essa vila.

Elas se foram
dividiram-se em um querer conjunto
um amor distante
mentes juntas em qualquer instante.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Notícias

Nada de saudade
tristeza
à mesa não há
o sorriso se configurou
pelos passos
mostrados
da notícia anunciada
agonia espantada 
espera
sucumbida
no lábio
destemido
deste jovem escritor
cantante de sossego
e calma
ao lembrar-se
dos amigos
amados em vida
sem notar maiores feridas.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Há um monstro em meu armário

Tenho andado demais
falado demais
Há um trem em meu peito
Desses trens, pouco sei

Andei flertando com olhares desconhecidos
encontrado lábios errados
e corpos
que lembram o meu

Sei que fragmentos não são bem vindos
o amar caminha perdido
os olhos já não se encontram
Talvez se perder, seja a solução

Se o se fosse verdadeiramente mágico
a memória não me falalha-se
as mãos paresem de escrever
eu seria eu, de mim, de tanta gente, de um nós inteiro.

Amar é coisa séria
no mar amaria as incertezas
no ar encontraria a paz
Mas é no mato que me encontro melhor

Seu olhar mudaria tudo
um toque mudaria o mundo
as aflições terminariam
e as inquietações não seriam fantasmas...
Caminhe com os olhos

Depois 
da dúvida
arrastada
revelada
desaforada
encontrei
as mãos
que retomo
para 
ajustar
as falhas
bocas
e machucados
que o relógio
faz
Fazendo
imploro-te
um pouco 
mais de cuidado
um olhar acentuado
vida para
quem quer viver
Diga-me
para que 
tanta maldade
quando 
a única 
verdade
foi amar
fadado,
Tenho amado 
demais?
Troque os pés
use mais mãos
retira-me
do calvário
inicie 
uma nova ordem
e por
era 
seremos um.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Repare para reparar

Reparar o mal cometido
Repare, é dor sentida
Reparar o sol se pondo
Repare, o cabelo esta crescendo

Reparar as injustiças feitas
Repare, o mundo é mesmo pequeno
Reparar nossas palavras ditas
Repare, é vida contida.

Repare, são sentimentos perdidos
Reparar o planeta que grita
Repare, é amizade viva
Reparar essa saudade sentida.

Pare nos momento pequenos
Repasse a alegria da vida
Recomece à viver
Antes que a vida engula você.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Viva Vida Exprimida


Já que as flores do perdão não se abriram;
o peito se fechou

a boca se calou
os olhos permanecerão fechados.
O violão do rapaz toca desafinado
Sem tom a moça não canta

e a música naquela praça
Não mais há [...]

Esse mar de gente se pergunta;
Onde esta o amor admitido?
Aquela janela não abre
As ruas estão em pedra

As moças são velhas
As velas são lâmpadas 

A paz segue com grade.
Mas mal não terá!
A rotina não cessará,

a pressa não acabará.
Acabou mesmo o meu coração,
alguém notou?
Eta cara valente,
eta gente careta,
eta cartaz cool.

Essa vida anda muito pacata,
pacatez roubada, forçada:
IMPOSTA(...)
Paca      pessoa   pata

Vaca      idiota     galinha
Porco    vive        cachorro
Rato      sem        coelho
Jacaré   criar       peixe.

Além do desejo

Em um rabisco me mostro
no traço não vejo cor
essa escrita esta sem graça
suas rimas não tem valor.

O corpo deitado esta
acenando as mãos se mostram
as curvas bem desenhadas
Os dedos não apontam nada.

Seu sabor de vinho é
como vestido torto da menina
Que torto mostra o peito
E pra mim não mostra nada.

Tem azul em teus negros olhos
confundido esta meu coração
Mas é esse branco que escorre
que tira minha razão...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Toque-me

Venha cura
limpe a ferida 
que no peito 
sangra
nos olhos 
se mostra 
e na mão alfora
a flor para 
em mim nascer
erva 
para enlouquecer
aquele par de olhos
aquele amor de lábios
e que a reza
fiel seja
para que assim
o encontrar aconteça:
mais perto, 
perceba-me
mais longe 
pense-me
mais mundo
encontre-me
mais minas pra esse rio
navegue-me
Mais brilho em nosso amar
Desperta-te.

segunda-feira, 16 de abril de 2012


Oração à flor

Que os passos não se percam
a fé desapareça
e os encontros aconteçam.

Que as cartas sejam lidas/rasgadas
para que a prosa se torne poesia
 
Pela saudade desassossegada

Nossa amizade bandida
aflorada, nunca esquecida
Floresce pelos jardins do amor...

Bela flor é o nome que te rege
este novo sabor erege
nossos despertares à beira-lua.

Flor, em que fase estamos?
em que  estação paramos?
Porquê, ainda não nos encontramos?

Venha para sermos um
esqueça para que sejas sua

Reine, a flor obriga-te...

Amém

quarta-feira, 11 de abril de 2012

 Leve para que leve possa voar!

                                                            
                                                                                      

A tarde

implora um céu
a fita é leve e voa
mas voa mesmo o 
meu coração.
Sem vazão
a razão
daquele menino
confunde pés com mãos
e pelos passos
dentre os espaços
não se mostra,
presente.
A despedida que vem
revela-me:
amor sereno/companhia só
tarde de outono/menino faceiro
fruta mordida/indigestão certa
de minas que vira rio/mano que quer  só risos.
 



terça-feira, 10 de abril de 2012

 Prosa de Puta

Sou dessas que se deitam com qualquer um, senta-se com todos e nunca para de sorrir. Certa vez, guardei o mais puro sabor dos lábios quentes que eu inocentemente provoquei e violei. Esta é a única lembrança que tenho do amor. Caminhava todos os dias pela mesma avenida. Ela era larga e havia duas pistas. Em uma, os ônibus cheios de rostos sem semblantes, olhos sem brilhos, bocas secas e pernas das mais variadas espessuras cortava-a para cima. Os carro embalados pelo louco rítimo da cidade que não quer parar, mas que parava para mim, descia. Em meu andar quem sabia espiar reparava cada respiração diferente, cada passo sem seqüência, cada fita recebida por um cliente. Sou puta, cria da rua, menina que quer dinheiro para não crescer.
À cada cliente um nome, à cada toque uma reação minuciosamente ensaiada diante da bacia d'água que me refletia no centro da sala, para cada um, jeito estranho, particular, alheio mas meu à tratar. Tratando, recebia vários presentes; desde um corte de veludo à um ticket para o cinema. De cinema eu gostava. Sonhava com o dia em que minha estória se tornaria história, e lógico, nas telas de todo país ser apresentada. Não sou estrela! Ninguém retrata a vida de uma rapariga das ruas(...). Ninguém repara as dores, quando não são suas. Não sou mulher de todos por que gosto, sou mulher para todos os gosto. Disso eu digo, faço gosto.
Tenho cabelos negros, pardos, ruivos, loiros e castanho por todo corpo, corpo sem fronteiras, sem grandes incisões, mas com pêlos. Olhe bem para estas curvas, manchas, cicatrizes mal curadas, unhas pintadas e mãos delineadas, elas não me revelam, eu não permito. Os olhos, bom estes eu arranquei. Não é todos os dias que podemos ver com quem ou que estamos nos deitando. São muitos lugares à frequentar, partes à acalmar, olhares à ignorar, vidas para em um canto ou cesto deixar. Acha que ser de todos é fácil? Experimente passar três dias inteiros olhando para privada esperando uma parte sua voltar... A agonia é sem fim, hoje não vejo mais minhas lágrimas.
Romeu era perfeito, casado e sabia como agradar uma mulher em todos os sentidos, se é que você me entende. José, apesar de ser mais velho, tinha toda uma inesperiêcia que fascinava-me. Joab, era feito santo. Rezava agradecendo quando ía comer. Eu sempre soube como conseguir o alimento que me faltava. Eu sempre soube me fazer muito bem. Bem, é o que nunca fiz, Detesto estar de Chico, o vermelho que me escorre, inunda o chão, fere o cálice, atrasa minha roda viva. Por favor, alguém poderia jogar uma pedra na Geni? Buarque... Este sim era homem, este tinha nome, este não me quiz e me deixou assim. Este era escritor sem fama, cantor desafinado, poeta de versos proibidos. Nunca soube entender por que ele nunca sorriu.
Acho que no fundo, gosto mesmo é de ser puta, adoro os corpos que em mim vive, e que neles sobrevivo. Esta relação é minha extensão, é algo que eu careço para manter o sangue pulsando. Tenho esta necessidade por natureza, e essa natureza segue entranhando e invadindo peitos que não são meus aflorando nos corações das jovens mocinhas que nas ruas se encontram. É diversão roubada , infância rasgada, poesia torta. Torta nos dizem ser e é assim que nos apresentamos.
Preciso me alimentar, preciso de fato te devorar. Tenho que te seduzir. Sou paga para você se sentir mais vivo. Em mim a vida se faz mais cara. Não é sempre que estou disponível, não é qualquer quantia que me leva, não me faço leilão, leitão servido à mesa pronto para degustação de todos. Tenho moral, fibra ética, noções civícas. afinal de contas sou puta, mas não sou otária...