Mamãe Papai Vila - Eu Menino Via
Eu, criança arisca
brincava corria e comia
Mamãe o banho dava
noutra criança atentada.
Tinha pai
mas sem pai
o amor acontecia.
Era um vasto quintal
Mãos pés rosto
tudo afundado em barro.
Que bom era ser
em minha época garoto!
Todos limpos
Mãe Pai Crianças e Amigos
agrupados à celebrar
os encantos do luar,
Quem estava lá via sorriso
eu de cá,
hoje lembro rindo.
A lua se pôs
a noite era de carta
Papai
brigava
Mamãe
Chorava
E eu
em um canto
pela fresta olhando
tive medo:
Medo do alto tom
do escuro daquele momento
dos olhos de mamãe
do adeus de papai
que sem pai
amor
por nós não tinha.
Assim dias depois
ele se foi
juntou as memórias da vida
na mala de minha tia.
É
o menino que em mim hábita
hoje se lembrou
e para tal vida na vila
ele retornou.
"Quando criança,
queremos do muito saber,
sem muito
entender.
Ontem por exemplo lembrei-me de um fato.
Ele, o fato, escorreu
pelo meu braço
e desaguou em azul no caderno.
Gosto deste tipo de
escrita,
desta que mostra alma e revela antigas feridas."
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