quarta-feira, 20 de junho de 2012

Carta aberta

E enquanto você pensa no seu agora, desespero-me por quem está fora. Nunca conseguir ler seus traços, rabisco dados na janela, tempo perdido à espera! Lembro-me dos nossos primeiros papos, desconfiava que se tratava de um fraco, mas não, hoje sei que não passa de covardia. Covardia juvenil talvez, mas pesado demais para alguém que procura intensidade em qualquer mentira verdadeira. Tenho na verdade milhares de mentiras para te contar, continuar contando-lhe. Se este seu ouvido parasse para escutar, as várias verdades disfarçadas de pequenas mentiras arisca que eu jogo no vento para qualquer pescador, saberia que esta conversa pertence-te. Não mudo, não corro, não sou dos outros. Não te incomodarei, tocarei, não serei avesso. Esse desespero de tentar te entender, entender seus passos, caminhar por teus espaços entre os abraços, afoga-me cada vez mais e mas é o que procuro, um porém para tentar não te abandonar...

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