sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Vai passar ou é passagem?


Um pássaro pousou em mim.
Passou-me e me contorna.
Reclama de sede e
de vontade de amar.

Passa e me implora,
implora meu carinho
torto
que de alguma forma
se acerta
e o atinge
feito vento frio em saída de banho.

Os mistérios desta ave
confunde meus olhos
turvos,
minha dança de menino
e o nosso disfarçar já arruinado.

Esta ave que raramente canta
agora me encanta
sem mais nem menos
sem por que ou
pra quem.

Ave, responda-me:
É coisa minha ou coisa nossa?
Quando deixo meus dedos tocarem os seus ao final de um ato, você sente?