quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Voo raso.

Precipitei-me.
Não pedi licença, indaguei:
-Retruco sua posição.
Houve um silêncio branco feito açúcar.
Não adianta andar 
se não são suas pernas que caminharão.
Percebi:
Minhas asas.
A asa esquerda
se parece
um pouco com a direita
que
as penas de uma caem mais rápido que as penas da outra.
Asas:
a esquerda
e a direita.
Lado a lado
a concretizar o primeiro par de meu corpo.
Harmonia dicotomicamente exata.
Muito parecida com minhas pernas.
tanto esquerda quanto a direita.
Sem percepções: essas são concretas demais.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Uma pausa

Enfim 
foi-se.
livre e silencioso
como sempre fostes.

Rapidamente;
-mãos para o alto.
instintivamente,
pedaços para todos os lados.

No ar que paramos
reverberamos
sufocando-nos 
e as pausas, lentamente, ditaram
o segregar
dos homens, embora o jeans de um, sempre, fosse  maior.

Docemente, desejo-lhe todo o outono.
Secretamente, o encontro dos nossos olhos.
Ardentemente, todos os nossos segredos, mas de longe, todos os nossos silêncios.

domingo, 20 de abril de 2014

Sábia pela manhã


Se eu chorar
Não se espante
Não se levante
Seja apenas elegante.
Trague todo meu cigarro
Acelere o meu carro
Bata em minha janela
Só não espere-me em sua escada.
Ao descer em minha vida, repare
Nestes dias meio mesquinhos
Nós feito passarinhos
voando entre outros ninhos.
Ao descer em nossa árvore
Jaborandi pela metade
Reparei em todos os detalhes
Todos os retratos, inclusive os retardados....
Quisera eu ser passarinho, seu vizinho e para sempre seu namoradinho.
Oh vida, corrida, comprida por kilometragens, óh vida, cumprimento-te feito  o sabia cumprimenta os raios de sol pela manhã.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Mariposa


Sabe quando a gente liga para uma pessoa 
espera tanto tempo e o tempo vooa,
Quando a gente engasga ao dizer duas palavras; Te amo?
Sabe quando a gente fala até, correndo e brincando a pé
em estradas que a gente não conhece bem, 
mas a pessoa caminha tão bem do seu lado que, 
acaba te dizendo:
Te amo, também?

Sabe quando trocamos mensagens bobas,
as horas passam atoa,
quando um sorriso diz:
Estamos de boa?
Pois é, 
este estado pleno nos faz uma referência, 
nos indica a descoberta de uma nova ciência, 
faz florescer qualquer flor, 
desacreditar na dor. 
É isso aí, 
quero para sempre ser esta pessoa, 
brincar correr dançar rir atoa, 
olhar para o seu rio e ser dele a mariposa.



Com todo carinho, com todo amor, 
com tudo o que de melhor poder haver. 
Para quem eu escrevi, para quem eu escrevo, 
para as pessoas que me encantam de uma meneira geral. 
Gostaria de deixar claro que o amor é lindo, 
tem nome e sobrenome e está sempre a procura de um abrigo. 
Não o deixe escapar, 
não faça com seu peito o que você faz da sua vida, 
nunca pulse se não for verdadeiro. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Amanda

Ela estava vomitando amor
no beco da esquina.
Ela estava levemente embriagada.

Alterada por sua condição
levou as mãos à cabeça.
Soltou-as rápido, eram pesadas demais para continuar segurando.

Rapidamente, ainda vomitando, levou uma das mãos à cintura,
a outra, se apoiou no muro do varal.
Era uma vila.

Ela ainda vomitava amor,
acho que se intoxicou.
Só amou, amou e amou.

Ela não era vacinada
morava afastada.
Era uma vila, mas havia mais ratos que vizinhos.

Ela era a menina dos olhos
a maninha dos outros.
Ela era.

Ela nunca parou de vomitar amor
pegou uma cadeira.
Continuou, amando.

Ela era Amanda.
No muro do beco da esquina
Vomitando a própria Amada, todos os dias.