sexta-feira, 30 de março de 2012

Vida para vinda, pipa para fita

Quando crianças, puras e angelicais fomos seres montados de sonhos alheios. Ceios em nossas bocas, calavam o choro inocente que tinha fome. Ali começávamos a ser os fantasmas dos natais passados. Damos os primeiros passos, estes sem direção, revelam toda a fragilidade de pernas fadadas à andar para frente, ainda que esta frente não seja uma frente pensada e elaborada. 

Pés firmes, dedos enraizados no chão. A Busca se inicia por uma identidade, vontade de não ser só. Coisa boba; a criança quer ser menino!

Garotos, corremos atrás de bola, pipa, arraias e papagaios, brincamos sério de matar dragões. Há um novo dragão à cada dia debaixo da mesma cama. Lutamos Muay-thay, as canelas marcadas por chutes e chuteiras. Intervalo, hora do banho. 

Água escorrendo pelo corpo, notasse pêlos. Pelo Pêlo, percebemos que a magia da mutação já começou. Nós, meninos, percebemos que há partes que falam sozinhas, só, falam. Se Mostram... Meu Deus, somos monstros! Falo, a garganta arranha, risos percebo, minha voz, não reconheço[...]

O coração bate, os olhos fitam fitas das outras, as mãos tremem, os pés se ajeitam, a parte grita. Somos mudo. No embaraço, bato pé. No espelho, boto fé. Na mãe, não acreditamos mais. É hora de sair.

Na partida, somos partidos, fragmentos de nós mesmos se espalham pela estrada, ombros novos nos conforta. Não, conforto é o que não queremos, com a nova voz queremos gritar, incomodar, voltar! 

Homens não sabem o que querem. O caminho é inverso, o universo passou a ser particular. Trilhas nos encantam. Somos partes de um mundo de azar. Construímos, desconstruímos, queremos lar, casa, família, alguém para amar. Sim, nós somos amáveis!

Contentaria-me em ter vivido isso tudo. Alegraria-me buscar mais. Não sei ao certo o futuro destas palavras incertas. Não tenho mas certezas absolutas. As que tive, sempre me amarraram ao mesmos tempo/lugar. A vida é coisa muito séria, frágil mas valente. Gostaria de um dia ser gente dos outros, só assim entenderia o que se passa nesta minha mente, neste corpo estranho....


"Se à cada dia eu buscasse entender o que 
eu poderia ter sido, imagino um caminho de longos passos ao nada. 
Sempre tentei ser grande, hoje só chamo a criança que por 
anos fui matando aos poucos." 
 

segunda-feira, 26 de março de 2012

Psicoscência para o meu viver...

E o frio da noite nos embala-rá como uma rede. Uma manhã qualquer invade-me com tintas escuras bem definidas que minha aquarela há muito não via. Tens cheiro de coisa boa, parece gota, gota qualquer de uma chuva fora de época. Minhas estações não definidas por astros ou estrelas, são rodeadas de puros sentimentos avulsos de uma vida inteira represada à beira de um rio, que cansou de ser pequeno, frio e só. Uma nova era começou, os fantasmas, estes reais ou não, são bem vindos, agora eu os cativo e não os deixo fugir. Entre tantos, um é especial! Uma flor, encontrada e cultivada secretamente em um jardim de frente à lua que o banha e mostra-me o que eu não posso perder. É meu querido fantasma há coisas que só meu coração poderia te dizer, essas mãos falhas não sabem escrever! 

Se o seu mundo pudesse me ouvir neste exato momento, ouviria um lindo choro feliz e alegre, choro novo, que talvez nunca tivesse escorrido de meus olhos antes. Esse choro, mostra-me, mostra-te, mostramos, que não somos; inteiros. Precisamos de mais, eu sou mais, te quero mais.

Tem céu, aquarela, rosa, flor, caminho e todo um outono neste mundo. Tem trem, tem eu. Sinto-te tocar-me de forma assustadoramente especial, angelical docemente distante, longe de meus passos, sorrisos, choros, e braços. Escorre sobre nós todo amor desta e de tantas vidas passadas que creio não termos nos encontrado, são tantos desencontros [...] achados e perdidos, palavras não ditas quando necessário. Este é o nosso mundo! Este é o nosso caminho partido pelo tempo, interrompido pela lógica, crescente por natureza. Sim! eu posso sentir seus dedos, boca, pêlo e cabelo.

Poderia por aqui, dizer uma infinidade de razões para estar ao seu lado, mas acho que assim quebraria nosso pacto.  Nos fizemos de silêncio e silêncio somos. O nosso silêncio nos uniu, nos dá força. Este é o meu romper, o meu não permanecer em tudo que me afaste de você, é a necessidade esfolante de te ter. Tenho dois corações, um comigo e um distante. Este é o meu olhar, meu escrever, minha saudade, minha vontade de você. E antes que eu me esqueça:
Xeque mate


"Com tantas conversas em um inbox qualquer, 
de uma vida qualquer, de um despertar qualquer, 
de um fantasma qualquer, percebi que você é o 
meu movimento interno! 
Queria guardar em mim, secretamente,
 tudo o que te escorre, tudo o que é seu. Vem, mostra-me o 
mundo que eu ainda não consigo ver sem seus 
olhos castanhos mais que claros, seu cabelos 
que enjoam-te, seus dentes que fascina-me. Ao meu lado, 
sei que seremos um. Tire meu juízo pra dançar esta noite... "

sexta-feira, 23 de março de 2012

E o que sou?


Este é o meu espelho
são os meus fantasmas
sou covarde
vivo um pesadelo.

Reflexos desconhecidos
vozes nunca antes apresentadas
sou um piada
Não tenho se quer amigos

Meus óculos estão na mesa
meu bigode não me esconde mais
Seria eu homem sério?
Não, seria eu homem pela metade.

Minha pouca idade revela
minhas mãos trêmulas entregam
chegou enfim a partida
Vá menina, agora é despedida!

Eu, sempre quis me confessar
a lua porém me impedia,
seria eu, dia em noite?
ou seria eu, noite em dia?

quinta-feira, 22 de março de 2012

À esperar

Não me vire a cabeça, não me deixe só
corra ao me lado, desista dos nós
Entre na minha loucura, e juntos seremos pó
Livres para voar com a primeira brisa.

Beba do meu liquido sagrado
rasgue para sempre seus ensinamentos
não quero você domesticado
só quero você presente.

Ser seu amante em banho de lua
navegar ainda que errado em suas curvas
ter nos dentes um motivo para gritar
Sim, é seu o meu gostar.

Com unhas riscadas por tanto esperar
as mãos ásperas de tanto procurar
hoje sei onde você se esconde
quero invadir seu leito ofegante

Sem ter
sem ser
sentar
amar.

hoje sei
hoje você sabe
hoje nós sabemos
hoje, só, não somos!

segunda-feira, 19 de março de 2012

Confissões de um pensamento qualquer...

A vida é mesmo coisa muito frágil, uma nova idéia é capaz de alternar todo um rumo linear da sociedade. Há muito venho por meio deste, tentar de alguma forma, qualquer forma, comunicar-me com outras pessoas e discutir de forma irracional um movimento contrário, da desconstrução à nova cidade maravilhosa, pensei ter me tornado um perito em tentar encontrar e reconhecer toda variação de comportamento do individuo quando individuo, ainda que este não seja um. O meu maior desafio porém foi romper comigo mesmo um caminho traçado e imposto, reconstituído diariamente, massificado a cada segundo e milhões de vezes compartilhado por qualquer um de qualquer lugar, sim saímos da ilha! Logicamente, eu lógico não posso ser, sendo assim sempre estarei não sendo e  recusando-me a acreditar que toda intensificação por racionalizar e definir seja para nós uma maneira inevitável de se existir, pensar e nos relacionar. Para onde vão os novos caçadores de bruxas indefesas? Suas tochas, hoje mais sofisticadas, ainda guardam todo veneno de uma verdade construída em forma de chama, que se aponta e fere/queima quem não caminha ou não quer caminhar ao lado de uma verdade absoluta/absurda. Se vocês soubessem o que de fato é santo Graal, as eternas Madalenas, e os pobres Lazáros, certamente questionaria toda essa maneira de agir sobre o outro, sim, por que somos o outro quando somo indivíduos alheios de nós, somos uma extensão, uma racionalização do próximo, eu que sou você, você que poderia ser eu, nós que somos o 1 de 7.000.000.000.    


Querido Estar, tente não pensar:

Se realmente pensamos e existimos, questione o "ser lógico das coisas", afinal, é LÓGICO, que a LÓGICA te deixa LOGICAMENTE, LÓGICO  e previsível para quem LOGICAMENTE não quer que você pense de fato. 

Quer uma grande teoria sobre a Lógica?

Sendo 2+2=4 sempre, por que eu, deveria pensar? Neste momento reproduzo um "pensamento" lógico. Ou seja, não penso, reproduzo.

Quer a minha teoria?

Aquilo que chamamos de loucura, só não faz sentido quando usamos camisas de força na mente.

Agora pense LOGICAMENTE, o que eu disse faz sentido?

sexta-feira, 16 de março de 2012

 Ah, se eu soubesse voar...

-Fiz uma má escolha!

-Mas escolhas são assim mesmo, nunca sabemos se estão certas.

-Não! Fiz uma má escolha sabendo das consequências...

-Pare de se lamentar! A vida é assim, em um dia a gente bate, em outro a gente apanha.

-Fiz uma má escolha, quer dizer, não tive escolha. O destino nos apresentou e brincou, agora não tenho nem 
 apresentações, nem brincadeiras. Hoje, ele resolveu ser mudo!

-Mundo, mundo, vasto mundo!

-É por aí...


"Nem flor, nem pau, nem amarelo será meu sol. 
É dor, sem cor, sem ter explicação..."

quinta-feira, 15 de março de 2012

Minha essencia é minha maior mentira

Pense em tudo que puder pensar, atrele à suas ideias vários tipos de lugar, tente se manter em um eixo, vamos lá, você pensa, você logo existe! 
Partindo do nosso precioso pensar, responda-me:
Quem te ensinou a falar, tocar, andar, amar, ou revoltar-se? É fascil responder se é um molde qualquer, de uma costela qualquer, de um paradgma interno quando coletivo...
Repense em um mundo LOGOS, desses que dois mais dois sempre serão quatro. Cria-me possibilidades, busque de alguma forma convencer-me que dois ou três não serão sete, tenho certesa de que este tipo de retomada do pensamento se fará mais interesante, menos repetitivo e muito mais criativa, você consegue, você pensa! Não se sabote...
Experimente, inove e desconstrua. Pire mais, invente e não deixe ser inventado por alguém, procure sem dó toda a sua hibridez, desfasa-se de sua ESSENCIA. Quando enfim conseguir praticar estes e outros desapegos, teremos firmado um trato, quase um pacto, seremos filhos de uma nova ordem, seremos uma nova era! 

"De origem ao que não se pode mostrar e 
eu darei um fim ao que todos querem ver."

quarta-feira, 14 de março de 2012

Menino Jabuti

Correr não pode
sem dentes não morde
mas há um olhar
sem ter um lugar

Porém há um caminho
estreito e restrito
que mal pode entrar
Jabuti sem par.

Menino corrido
as pressas vem vindo
No casco se esconde
o que não pode largar

Agora ele ri
já pode falar
pequeno Jabuti
seu fardo largará.


Jabuti:
"Trague devagar
beba até pensar
em olhos para se embriagar
e devora-me sem esperar"
Não é amar, é amor...


Da janela da pousada avistei belas pernas,  lindas e grossas como as de uma bailarina. Reparei nos passos, no espaço e na bagunça que se instalá-ra por ali quando a moça passou. Eram gaiolas, frutas e tecidos voando para todos os lados, e a moça claro, sorria! Sabia que estava sendo olhada, mais que isso, sabia que estava sendo desejada! Eu, naquela enorme janela nem me dei conta que você não vinha, e que o tempo, ah este tempo! Voava. Minhas marcas ainda não saíram, meus dentes aos poucos estão voltando ao lugar, meu peito já não aperta, minhas pernas voltaram a andar. Amor, meu grande amar, talvez único gostar sincero, quero que saibas que não te procuro por que sei que sofrerei mais uma vez. Por que amor há, o que não há, é vontade de amar!

segunda-feira, 12 de março de 2012

Ainda que sobre dúvidas eu estarei aqui.

Minha Aurora bureau
Rara chuva de sol
Mostra-me sua face
Cansei de ser só.

Chega de brincar de saudade
Quero já, cante sua liberdade
Sinta a flor sorrir
Deixe a primavera vir.

Quem te fez não te contou
Eu te digo com louvor
Ainda que tu não saibas;
És livre por natureza[...]

Quero esse seu sorriso largo
Chega de amar pela metade
Tenho comigo que não esta longe
 nosso romper de uma nova cidade.

Flôr, não quero te apreçar
Mas corra e não deixe faltar
Toda essa graça contida
Toda essa alegria da vida...
Com carinho para você

Saber disso tudo
Deixa confuso
O meu coração.

Esse corpo perdido
À beira de um abismo
Descansa então.

As estórias contadas
Com findas risadas
vem como clarão.

Entre dores porém
Encontro no trem
Minha vazão.

A viajem agitada
Acalma a chegada
De "um/dois" coração.

"Se um dia resolver chorar, promete avisar-me? 
Quero estar contigo a cada segundo não perdido, 
a cada gota não molhada, a cada busca não iniciada."

sexta-feira, 9 de março de 2012

Flores de uma estação

Corra
menina levada
se esconda
e na largada
pense
em seus amores
e por agora
esqueça dores.
Ainda que estas
persista
ainda que este
caminho
insista
fuja agora.
Corte o azul céu
olhe o mar
Ressaca boa
é não pensar
liberter-se deste véu
não espalhe mais seu fel.
Não ouça frustrações alheias
não comas mais de brincadeira
mostre-se, ou eu te encanto
corra para qualquer canto.
Mas flor, se um dia
em qualquer dia 
a saudade bater
não volte
não olhe
não toque
perdoe você
E siga com quem você quer ser.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Pense em não pensar...


Arrasta-me para perto, envolva-me com cada gota de chuva que o céu desperdiçar, quero te olhar nos olhos, só para ter certeza de que não estou cego. E que tal uma fuga, para qualquer canto em qualquer lugar? Por quantas vezes teremos que renegar a vida que esta surgindo? Bom mesmo seria se por um acaso nunca tivéssemos nos encontrado, penso que só assim seria doce, penso que só assim não sofreríamos, penso que só assim não existiríamos. Aí torno a pensar, e penso, para que tantos pensares?

segunda-feira, 5 de março de 2012


Fragmentos de um Outono qualquer...

Por muito tempo pensei que uma busca interna fosse trazer-me uma dor constante, dessas que ninguém sabe ao certo como aparece, mas sabe que vai se instalar e resistira para sair. Hoje meu caminho é outro, tento observar o movimento que move, o despertar de um bilhão de informações em formas de  códigos falhos, que eu nem faço idéia de como começar a entender. Queria, por alguns momentos de lucidez, deixar que a emoção me mostra-se o que realmente me move, o que é o meu real desejo, quem eu gostaria de imortalizar em um único beijo. Enquanto essa escapa-me, o que me resta é andar, só, em parques verdes de um mundo que eu não sei como entrar, mas sou sempre convidado à estar. São tantas águas de março, tantos outonos, tantas cores, que as vezes pergunto-me; e os amores, onde estão? É, hoje vejo que minha busca não foi em vão, que os momentos pertencentes à flor da pele, as tantas vezes que sangrei por acreditar ferir alguém, aliviaram-me para futuros encontros. Deixe que escorra  todo amor que existe em você, querido Outono! Não teime em ser tão seco consigo, viva um pouco mais. Quem sabe assim, este pouquinho de sentimento complete a minha aquarela vazia. Querido, antes de ir gostaria de fazer-lhe um pedido:

"Faça-me pertencente..."
Percepção


Estive pensando em uma forma, ou melhor uma fórmula para expressar de maneira inédita o amor cotidiano que sinto por aqui. Não deu! Nem pensei, me deu preguiça sabe? Para que, tentarmos definir isso ou aquilo, pequeno ou grande, ser ou não ser? Se você soubesse, ah se você soubesse o amor que instalou-se em mim nestes últimos dias, fugiria para o mais alto pico daquela nossa colina, casinha esquecida e super aconchegante que de NÃO LAR chegamos a chamar. Queria tanto, mas tanto te dizer, ou melhor queria mesmo era saber dizer, o tamanho do misto que você me causa! Acho que neste pequeno fragmento você irá entender...

"Lembro quando tocou-me pela primeira vez. Eu chorei tanto, que naquele momento o mundo parecia estar em meu peito e todos os oceanos em meus olhos. Hoje percebo, eu quero guardar em você o melhor de mim, ainda que o melhor de mim seja pouco à olhos estranhos..."

quinta-feira, 1 de março de 2012

São olhos de Outono


"Agora os planos são outros, não há mais tantas casas à serem visitadas, escadas à serem vigiadas ou igrejas à condenar-me. Os novos ventos que por aqui começaram a soprar indicam uma nova estória, um novo caminhar. O outono esta passando, as folhas caem de maneira assustadoramente devagar, parecem anunciar a falta que vou sentir quando todas se forem. Mas encantador mesmo, é saber que sou um todo, de um qualquer, de um estar por aí. Porém, asfixia-me não saber qual será a próxima estação, terá vagão? 
É com grande alegria/tristeza que me despeço de ti querido, Outono! Peço-lhe que faça a caridade de visitar-me quando eu precisar; de secar..."