Fragmentos de um
Outono qualquer...
Por muito tempo pensei que uma
busca interna fosse trazer-me uma dor constante, dessas que ninguém sabe ao
certo como aparece, mas sabe que vai se instalar e resistira para sair. Hoje
meu caminho é outro, tento observar o movimento que move, o despertar de um
bilhão de informações em formas de códigos
falhos, que eu nem faço idéia de como começar a entender. Queria, por alguns
momentos de lucidez, deixar que a emoção me mostra-se o que realmente me move, o
que é o meu real desejo, quem eu gostaria de imortalizar em um único beijo. Enquanto
essa escapa-me, o que me resta é andar, só, em parques verdes de um mundo que
eu não sei como entrar, mas sou sempre convidado à estar. São tantas águas de
março, tantos outonos, tantas cores, que as vezes pergunto-me; e os amores,
onde estão? É, hoje vejo que minha busca não foi em vão, que os momentos
pertencentes à flor da pele, as tantas vezes que sangrei por acreditar ferir alguém,
aliviaram-me para futuros encontros. Deixe que escorra todo amor que existe em você, querido Outono! Não
teime em ser tão seco consigo, viva um pouco mais. Quem sabe assim, este
pouquinho de sentimento complete a minha aquarela vazia. Querido, antes de ir
gostaria de fazer-lhe um pedido:
"Faça-me pertencente..."
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