quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Ingrid Medina

Ela anda de um lado para o outro dentro dela.
Olha dança pula agita
corre cresce samba apita
E ainda sim, está confusa
com um tempo inteiro à sobrar.
A parte dela artista grita
a de menina ensina
de mulher observa
e ela?
Ela, tem pressa.
Não é dessas
nem daquelas
não pertençe ao apreço
ou ao descaso
é das gerais menina
sendo boneca bailarina.
És a que meu olhar fita
para quem o trem apita
a linha que sustenta a pipa
uma florsinha ainda não inventada.
Sim, ela é Ingrid
para os distantes ingrime
presente para
tropeiros palhaços amantes
és a bela paisagem
aos visitantes de Medina.



segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Maré[lo]

Corro à beira
beira-mar
beira que par.
Esquivo-me
não canço
mostro rosto
às vezes danço.
Nesta corrida
quase sempre canto
ao seu cantar
em meu canto.
Sabe que pensei em dizer?
ainda não sei bem
pra quem,
seria meu bem?
A estreita divisa
a estranha visita
a perda que em mim ainda berra
deflagra um gosto oposto,
guardado em sereno esconderijo
guardado para nosso encontro querido amigo.
Meu vento
[não ventre]
guia-me por aí
leva meus cheiros
e a noite 
volta a me cobrir,
para que mais tarde eu sonhe
com seu labirinto incerto
pequeno incerto...
Não temerei mais o futuro,
não temerei mais o escuro,
não temerei viver
neste mar de Helena.
Meu veneno não escorreu
não saiu
nem encolheu
está guardado no mesmo lugar
que os versos acima tentam apontar,
No fundo, esta confissão
são segredos do meu coração
segredos meus, 
segredos que não abro mão.
No fim,
acho que só estou cansado
não mais machucado,
não mais empurrado pela maré
que criei de pé.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Frutos de Jú

Vem dali ou de cá
tanto faz
não importa mais,
há um pequeno ser
que crescerá por você
não saberá ter
a confiança sem te ver.
Passarinhos darão-lhe medo
se por ti ele não caminhar
carneirinhos serão o segredo
quando tu, ensinar-lhe a contar.
Nesta sua nova jornada
de mãe ele lhe chamará,
como amiga vai ti contar
os males que o aflige,
ainda que,
tu por tamanha proteção
não entendas...
Ouça, este é o seu mais novo som,
o silêncio abrigado no sorriso
sorriso de leite,
meio frio meio quente,
meio filho meio crescente.
Repararás agora, 
em passos largados no espaço
olhares lançados e desperdiçados
o acenar de um futuro:
meio seu meio confuso
meio sorrindo meio estranho
meio seu meio do mundo
meio filho meio vizinho.
Esta sua nova vida
digo, esta nova condição
refere-se o que de mais puro
temos no coração,
refere-se a vida por entre o vão
dentro de um verdadeiro vulcão,
a alegria descontida e as lágrimas pela partida,
refere-se a condição do seu ser-humano natural,
puro, alegre e angelical:
O seu mais novo amar incondicional.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

GRITO NÃO!

Dentro do limite
nosso abismo próximo
choro longe
mesmo cansado
os olhos deflagrados
abertos
mas também fechados
não saem mais as ruas
não ficam no escuro
com medo de chorar
fogem
sem rastros
à deixar
sem pegadas
à se reparar
apenas saem
sem sair do lugar.
Meu olho
por teu gosto
meu gesto
por seu feto
meu pulsar
pelo seu não mais enganar
seria possível?
Penso ser cabível
dentro de ti
fora de mim
em paisagens montadas
cavalos galopantes
por galápagos
ou oceano atlântico,
por assim afirmar
voar,
por assim eu me mostrar,
gostar.
Nem sei o que escrevo
nem sei se sou marcado
há recados
deixados, extornados
perdidos ou achados
pra mim?
Sinceridade sua
choro meu
sua criança brincou na chuva
meu velho não percebeu
este corpo cansado
estirado no espaço
sem vãos fechados
ou turvos clarões
diz NÃO!
NÃO
ao pouco que tenho recebido
NÃO
à todos os seu pedidos
NÃO
aos seu tolos sorrisos
NÃO
à esse amor de menino.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O teatro ficará sendo seu pão
A literatura tua água 
Os mais belos quadros tua visão
                                                                      E a dança[...]
                                            
  ESTA SERÁ PARA SEMPRE SUA ROUPA [mais] ÍNTIMA...

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Soneto por ti

Despir-me-ei para cru estar
apresentar-te
revelando-me
sumindo para chegar.

Tratando-te por si no aqui
invertendo-me por negar
um não mais
sim para amar.

Estranho tu és
não esquivas ao receber
mesmo sem você ver.

Estranho nos tornamos
quando enfim nos tocamos
sem perceber.




"Não consigo entrar. 
Não sei o que se passa. 
Tão diferentemente perto longe. 
Tão conflituoso amante. 
Risco toda a pele por um vão, 
meus riscos gritam;

SUA PELE NÃO... "

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

É isso

Hoje é dia de riscar
riscar a alma de vermelho
vermelho sangue para ressaltar
seus olhos feito outono
ou sua boca primavera.
Correr pra atrás
voltar à frente
sofrer assim
mostrar-se enfim
carrego-te aqui
sem ser afim
sem esperar um fim
apenas carrego
sem útero
apenas espero
sem lucro, padeço.
Padecer porém
condição inerte
pobre fraca inútil
não me faz bem
e por isso vou riscar
sujar sua alma com meu vermelho outono
para que você arrisque minha boca
com sua primavera.