Passando por um corredor para chegar em um por aí...
Se ando bloqueando os passos
nadando em raso
plantando em pratos
sem deixar rastros,
é por que tu, não corres comigo.
Se ando espiando o gado
maltratando o pasto
mastigando o pão
atrapalhando-me no não,
é por que tu, não és irmão.
Se ando atropelando o vocabulário
vendo estrelas fora do planetário
sendo astronauta de um céu vazio
conversando em cercas sem vizinhos,
certamente, é por que estou contrariado.
Se ando, corro, nado, planto, mastigo ou atrapalho-me
estou sendo o mais puro, o mais digno possível comigo.
Não procuro laços ou afetos
não sou lado ou avesso,
não sou se quer menino
e as vezes me perco no sexo certo.
Estaria eu perdido?
Estaria eu confu[n]dido?
Acho que no fim, bem no fim, voltei de um por aí, da sacada de um hotel, ou da viajem que não fiz.
Acho que agora
chegou essa tal hora
de revistar as bagagens
desfazer as malas
que nunca saíram do guarda-roupa.
É hora de encarar o espelho!
Se deparar com as rugas que, a distância e seu marido, o tempo, causaram.
Com carinho, reconhecer toda a face amadurecida, queimada de sol, do frio, do medo e dos mesmos. É hora de dar nome ao desconhecido, o inabitável, o deslumbrante;
Os olhos refletidos nas águas de qualquer estação...
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