segunda-feira, 16 de abril de 2012


Oração à flor

Que os passos não se percam
a fé desapareça
e os encontros aconteçam.

Que as cartas sejam lidas/rasgadas
para que a prosa se torne poesia
 
Pela saudade desassossegada

Nossa amizade bandida
aflorada, nunca esquecida
Floresce pelos jardins do amor...

Bela flor é o nome que te rege
este novo sabor erege
nossos despertares à beira-lua.

Flor, em que fase estamos?
em que  estação paramos?
Porquê, ainda não nos encontramos?

Venha para sermos um
esqueça para que sejas sua

Reine, a flor obriga-te...

Amém

quarta-feira, 11 de abril de 2012

 Leve para que leve possa voar!

                                                            
                                                                                      

A tarde

implora um céu
a fita é leve e voa
mas voa mesmo o 
meu coração.
Sem vazão
a razão
daquele menino
confunde pés com mãos
e pelos passos
dentre os espaços
não se mostra,
presente.
A despedida que vem
revela-me:
amor sereno/companhia só
tarde de outono/menino faceiro
fruta mordida/indigestão certa
de minas que vira rio/mano que quer  só risos.
 



terça-feira, 10 de abril de 2012

 Prosa de Puta

Sou dessas que se deitam com qualquer um, senta-se com todos e nunca para de sorrir. Certa vez, guardei o mais puro sabor dos lábios quentes que eu inocentemente provoquei e violei. Esta é a única lembrança que tenho do amor. Caminhava todos os dias pela mesma avenida. Ela era larga e havia duas pistas. Em uma, os ônibus cheios de rostos sem semblantes, olhos sem brilhos, bocas secas e pernas das mais variadas espessuras cortava-a para cima. Os carro embalados pelo louco rítimo da cidade que não quer parar, mas que parava para mim, descia. Em meu andar quem sabia espiar reparava cada respiração diferente, cada passo sem seqüência, cada fita recebida por um cliente. Sou puta, cria da rua, menina que quer dinheiro para não crescer.
À cada cliente um nome, à cada toque uma reação minuciosamente ensaiada diante da bacia d'água que me refletia no centro da sala, para cada um, jeito estranho, particular, alheio mas meu à tratar. Tratando, recebia vários presentes; desde um corte de veludo à um ticket para o cinema. De cinema eu gostava. Sonhava com o dia em que minha estória se tornaria história, e lógico, nas telas de todo país ser apresentada. Não sou estrela! Ninguém retrata a vida de uma rapariga das ruas(...). Ninguém repara as dores, quando não são suas. Não sou mulher de todos por que gosto, sou mulher para todos os gosto. Disso eu digo, faço gosto.
Tenho cabelos negros, pardos, ruivos, loiros e castanho por todo corpo, corpo sem fronteiras, sem grandes incisões, mas com pêlos. Olhe bem para estas curvas, manchas, cicatrizes mal curadas, unhas pintadas e mãos delineadas, elas não me revelam, eu não permito. Os olhos, bom estes eu arranquei. Não é todos os dias que podemos ver com quem ou que estamos nos deitando. São muitos lugares à frequentar, partes à acalmar, olhares à ignorar, vidas para em um canto ou cesto deixar. Acha que ser de todos é fácil? Experimente passar três dias inteiros olhando para privada esperando uma parte sua voltar... A agonia é sem fim, hoje não vejo mais minhas lágrimas.
Romeu era perfeito, casado e sabia como agradar uma mulher em todos os sentidos, se é que você me entende. José, apesar de ser mais velho, tinha toda uma inesperiêcia que fascinava-me. Joab, era feito santo. Rezava agradecendo quando ía comer. Eu sempre soube como conseguir o alimento que me faltava. Eu sempre soube me fazer muito bem. Bem, é o que nunca fiz, Detesto estar de Chico, o vermelho que me escorre, inunda o chão, fere o cálice, atrasa minha roda viva. Por favor, alguém poderia jogar uma pedra na Geni? Buarque... Este sim era homem, este tinha nome, este não me quiz e me deixou assim. Este era escritor sem fama, cantor desafinado, poeta de versos proibidos. Nunca soube entender por que ele nunca sorriu.
Acho que no fundo, gosto mesmo é de ser puta, adoro os corpos que em mim vive, e que neles sobrevivo. Esta relação é minha extensão, é algo que eu careço para manter o sangue pulsando. Tenho esta necessidade por natureza, e essa natureza segue entranhando e invadindo peitos que não são meus aflorando nos corações das jovens mocinhas que nas ruas se encontram. É diversão roubada , infância rasgada, poesia torta. Torta nos dizem ser e é assim que nos apresentamos.
Preciso me alimentar, preciso de fato te devorar. Tenho que te seduzir. Sou paga para você se sentir mais vivo. Em mim a vida se faz mais cara. Não é sempre que estou disponível, não é qualquer quantia que me leva, não me faço leilão, leitão servido à mesa pronto para degustação de todos. Tenho moral, fibra ética, noções civícas. afinal de contas sou puta, mas não sou otária...

Anjo

Beba-me em goles curtos
quero de você todo absurdo
não quero estar só
de você eu quero o pior.
Não tenho nome, dores ou curvas
tenho do mundo várias dúvidas
tenho no peito uma grande ilusão
estaria eu, sofrendo de paixão?
Sou sua corrida, sua afirmação, não chore
eu também sou o lírico dos nossos pensares
sou a dor da partida amarga
sou a frase da bebida que te embriaga.
sem roupa, pele ou olhos
quero você que me engole
tenho pelo corpo as marcas
da jornada mal caminhada,
liberdade retida
todo amor dessa vida.
Tenho mesmo razão,
ou penso ainda com o coração?
Não gosto
não guardo
não chato
não tenho
não largo
não para
não, é o que tem.
Encontre, desfaça-se
deixe a chuva chegar
deixe o amor narrar
deixe.
Deixando, deixo de ser só
encontro-te e não volto
corro para chegar,
Chegando, ficaria feliz em poder te ver(de novo).


"Este texto já estava aqui  há quase um ano, 
nunca o publiquei pq achava-o bonitinho demais.
 Hoje sei que bonitinho mesmo são 
atitudes e decisões que tomamos, 
são caminhos que decidimos trilhar,
 é ter a conciêcia de que é necessário amar. 
Talvez, os ventos que sopraram do lado de cá, 
tenham me impulsionado  a tomar 
algumas decisões necessárias. 
Antes que eu me esqueça, gostaria de desejar-te 
desta vez de longe, distante de toda a distância 
que nossa companheira foi, toda felicidade do 
mundo. Legal mesmo seria se isso nunca 
tivesse acontecido, se suas/minhas cartas 
nunca tivessem chegado, e todas as nossas 
risadas podem ser deletadas, 
mas tudo que tenho é um in box."

terça-feira, 3 de abril de 2012

Erros necessários


São Momentos ferozes onde a aproximação pode de fato determinar o fim de uma história que nem começou. Tenho pensamentos sombrios quando penso na chegada, porém o que assusta-me de fato é  a partida. Há um significado, uma codificação que criamos para entender ou ao menos tentar compreender tantas palavras, conversas, gestos e rostos. A comunicação é falha por natureza. A falta se faz presente e o meu mundo esta desabando a cada segundo. Sou falho. 

O sentimento, tênue se mostrou! Você de fato nunca dançou. Arrempodo-me porém de ter me mostrado tanto. Apareci demais. Errei[...] sabendo que não havia lugar para o erro, arrisquei e perdi. Queria mesmo era ter meu amigo de longe para aconselhar-me neste momento.

Não há baralhos, damas, ou oi. Não há mais nada, há um caminho que ou tomamos coragem para seguir, ou o melhor é terminar por aqui. Não temos tempo, não dá para ficar fingindo que é a vida é para sempre. Não somos príncipes, não temos castelos, não moramos em reinos. Não temos fadas madrinha ou varinhas mágica. De fato, não somos nada. Não temos nada. Nem se quer nos falamos. Eu, cansei. Você? Você tem algo que eu não sei dizer. Fascina-me o seu não entender, como quando sua sobrancelha sobe, seu olhos se dilatam, e sua boca inclina-se levemente para esquerda. Ou seria direita? Perco-me para falar-te. Tenho visitas à sala que não convidei. Durmo com vozes que eu nunca vi o rosto. Mas você será minha redenção para a maldição que a lua me lançou.

Eu preciso acreditar...

"Esta extensão tem que acabar. 
Ou acaba ou nos acabamos. 
Esse tempo incerto há de terminar. 
Ou termina ou não começamos.
Esta indiferença tem que aparecer. 
Ou aparece ou não me mostro.
Esta vida tem que seguir. 
Ou segue ou eu não seco..."

sexta-feira, 30 de março de 2012

Vida para vinda, pipa para fita

Quando crianças, puras e angelicais fomos seres montados de sonhos alheios. Ceios em nossas bocas, calavam o choro inocente que tinha fome. Ali começávamos a ser os fantasmas dos natais passados. Damos os primeiros passos, estes sem direção, revelam toda a fragilidade de pernas fadadas à andar para frente, ainda que esta frente não seja uma frente pensada e elaborada. 

Pés firmes, dedos enraizados no chão. A Busca se inicia por uma identidade, vontade de não ser só. Coisa boba; a criança quer ser menino!

Garotos, corremos atrás de bola, pipa, arraias e papagaios, brincamos sério de matar dragões. Há um novo dragão à cada dia debaixo da mesma cama. Lutamos Muay-thay, as canelas marcadas por chutes e chuteiras. Intervalo, hora do banho. 

Água escorrendo pelo corpo, notasse pêlos. Pelo Pêlo, percebemos que a magia da mutação já começou. Nós, meninos, percebemos que há partes que falam sozinhas, só, falam. Se Mostram... Meu Deus, somos monstros! Falo, a garganta arranha, risos percebo, minha voz, não reconheço[...]

O coração bate, os olhos fitam fitas das outras, as mãos tremem, os pés se ajeitam, a parte grita. Somos mudo. No embaraço, bato pé. No espelho, boto fé. Na mãe, não acreditamos mais. É hora de sair.

Na partida, somos partidos, fragmentos de nós mesmos se espalham pela estrada, ombros novos nos conforta. Não, conforto é o que não queremos, com a nova voz queremos gritar, incomodar, voltar! 

Homens não sabem o que querem. O caminho é inverso, o universo passou a ser particular. Trilhas nos encantam. Somos partes de um mundo de azar. Construímos, desconstruímos, queremos lar, casa, família, alguém para amar. Sim, nós somos amáveis!

Contentaria-me em ter vivido isso tudo. Alegraria-me buscar mais. Não sei ao certo o futuro destas palavras incertas. Não tenho mas certezas absolutas. As que tive, sempre me amarraram ao mesmos tempo/lugar. A vida é coisa muito séria, frágil mas valente. Gostaria de um dia ser gente dos outros, só assim entenderia o que se passa nesta minha mente, neste corpo estranho....


"Se à cada dia eu buscasse entender o que 
eu poderia ter sido, imagino um caminho de longos passos ao nada. 
Sempre tentei ser grande, hoje só chamo a criança que por 
anos fui matando aos poucos." 
 

segunda-feira, 26 de março de 2012

Psicoscência para o meu viver...

E o frio da noite nos embala-rá como uma rede. Uma manhã qualquer invade-me com tintas escuras bem definidas que minha aquarela há muito não via. Tens cheiro de coisa boa, parece gota, gota qualquer de uma chuva fora de época. Minhas estações não definidas por astros ou estrelas, são rodeadas de puros sentimentos avulsos de uma vida inteira represada à beira de um rio, que cansou de ser pequeno, frio e só. Uma nova era começou, os fantasmas, estes reais ou não, são bem vindos, agora eu os cativo e não os deixo fugir. Entre tantos, um é especial! Uma flor, encontrada e cultivada secretamente em um jardim de frente à lua que o banha e mostra-me o que eu não posso perder. É meu querido fantasma há coisas que só meu coração poderia te dizer, essas mãos falhas não sabem escrever! 

Se o seu mundo pudesse me ouvir neste exato momento, ouviria um lindo choro feliz e alegre, choro novo, que talvez nunca tivesse escorrido de meus olhos antes. Esse choro, mostra-me, mostra-te, mostramos, que não somos; inteiros. Precisamos de mais, eu sou mais, te quero mais.

Tem céu, aquarela, rosa, flor, caminho e todo um outono neste mundo. Tem trem, tem eu. Sinto-te tocar-me de forma assustadoramente especial, angelical docemente distante, longe de meus passos, sorrisos, choros, e braços. Escorre sobre nós todo amor desta e de tantas vidas passadas que creio não termos nos encontrado, são tantos desencontros [...] achados e perdidos, palavras não ditas quando necessário. Este é o nosso mundo! Este é o nosso caminho partido pelo tempo, interrompido pela lógica, crescente por natureza. Sim! eu posso sentir seus dedos, boca, pêlo e cabelo.

Poderia por aqui, dizer uma infinidade de razões para estar ao seu lado, mas acho que assim quebraria nosso pacto.  Nos fizemos de silêncio e silêncio somos. O nosso silêncio nos uniu, nos dá força. Este é o meu romper, o meu não permanecer em tudo que me afaste de você, é a necessidade esfolante de te ter. Tenho dois corações, um comigo e um distante. Este é o meu olhar, meu escrever, minha saudade, minha vontade de você. E antes que eu me esqueça:
Xeque mate


"Com tantas conversas em um inbox qualquer, 
de uma vida qualquer, de um despertar qualquer, 
de um fantasma qualquer, percebi que você é o 
meu movimento interno! 
Queria guardar em mim, secretamente,
 tudo o que te escorre, tudo o que é seu. Vem, mostra-me o 
mundo que eu ainda não consigo ver sem seus 
olhos castanhos mais que claros, seu cabelos 
que enjoam-te, seus dentes que fascina-me. Ao meu lado, 
sei que seremos um. Tire meu juízo pra dançar esta noite... "