quarta-feira, 25 de abril de 2012

Além do desejo

Em um rabisco me mostro
no traço não vejo cor
essa escrita esta sem graça
suas rimas não tem valor.

O corpo deitado esta
acenando as mãos se mostram
as curvas bem desenhadas
Os dedos não apontam nada.

Seu sabor de vinho é
como vestido torto da menina
Que torto mostra o peito
E pra mim não mostra nada.

Tem azul em teus negros olhos
confundido esta meu coração
Mas é esse branco que escorre
que tira minha razão...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Toque-me

Venha cura
limpe a ferida 
que no peito 
sangra
nos olhos 
se mostra 
e na mão alfora
a flor para 
em mim nascer
erva 
para enlouquecer
aquele par de olhos
aquele amor de lábios
e que a reza
fiel seja
para que assim
o encontrar aconteça:
mais perto, 
perceba-me
mais longe 
pense-me
mais mundo
encontre-me
mais minas pra esse rio
navegue-me
Mais brilho em nosso amar
Desperta-te.

segunda-feira, 16 de abril de 2012


Oração à flor

Que os passos não se percam
a fé desapareça
e os encontros aconteçam.

Que as cartas sejam lidas/rasgadas
para que a prosa se torne poesia
 
Pela saudade desassossegada

Nossa amizade bandida
aflorada, nunca esquecida
Floresce pelos jardins do amor...

Bela flor é o nome que te rege
este novo sabor erege
nossos despertares à beira-lua.

Flor, em que fase estamos?
em que  estação paramos?
Porquê, ainda não nos encontramos?

Venha para sermos um
esqueça para que sejas sua

Reine, a flor obriga-te...

Amém

quarta-feira, 11 de abril de 2012

 Leve para que leve possa voar!

                                                            
                                                                                      

A tarde

implora um céu
a fita é leve e voa
mas voa mesmo o 
meu coração.
Sem vazão
a razão
daquele menino
confunde pés com mãos
e pelos passos
dentre os espaços
não se mostra,
presente.
A despedida que vem
revela-me:
amor sereno/companhia só
tarde de outono/menino faceiro
fruta mordida/indigestão certa
de minas que vira rio/mano que quer  só risos.
 



terça-feira, 10 de abril de 2012

 Prosa de Puta

Sou dessas que se deitam com qualquer um, senta-se com todos e nunca para de sorrir. Certa vez, guardei o mais puro sabor dos lábios quentes que eu inocentemente provoquei e violei. Esta é a única lembrança que tenho do amor. Caminhava todos os dias pela mesma avenida. Ela era larga e havia duas pistas. Em uma, os ônibus cheios de rostos sem semblantes, olhos sem brilhos, bocas secas e pernas das mais variadas espessuras cortava-a para cima. Os carro embalados pelo louco rítimo da cidade que não quer parar, mas que parava para mim, descia. Em meu andar quem sabia espiar reparava cada respiração diferente, cada passo sem seqüência, cada fita recebida por um cliente. Sou puta, cria da rua, menina que quer dinheiro para não crescer.
À cada cliente um nome, à cada toque uma reação minuciosamente ensaiada diante da bacia d'água que me refletia no centro da sala, para cada um, jeito estranho, particular, alheio mas meu à tratar. Tratando, recebia vários presentes; desde um corte de veludo à um ticket para o cinema. De cinema eu gostava. Sonhava com o dia em que minha estória se tornaria história, e lógico, nas telas de todo país ser apresentada. Não sou estrela! Ninguém retrata a vida de uma rapariga das ruas(...). Ninguém repara as dores, quando não são suas. Não sou mulher de todos por que gosto, sou mulher para todos os gosto. Disso eu digo, faço gosto.
Tenho cabelos negros, pardos, ruivos, loiros e castanho por todo corpo, corpo sem fronteiras, sem grandes incisões, mas com pêlos. Olhe bem para estas curvas, manchas, cicatrizes mal curadas, unhas pintadas e mãos delineadas, elas não me revelam, eu não permito. Os olhos, bom estes eu arranquei. Não é todos os dias que podemos ver com quem ou que estamos nos deitando. São muitos lugares à frequentar, partes à acalmar, olhares à ignorar, vidas para em um canto ou cesto deixar. Acha que ser de todos é fácil? Experimente passar três dias inteiros olhando para privada esperando uma parte sua voltar... A agonia é sem fim, hoje não vejo mais minhas lágrimas.
Romeu era perfeito, casado e sabia como agradar uma mulher em todos os sentidos, se é que você me entende. José, apesar de ser mais velho, tinha toda uma inesperiêcia que fascinava-me. Joab, era feito santo. Rezava agradecendo quando ía comer. Eu sempre soube como conseguir o alimento que me faltava. Eu sempre soube me fazer muito bem. Bem, é o que nunca fiz, Detesto estar de Chico, o vermelho que me escorre, inunda o chão, fere o cálice, atrasa minha roda viva. Por favor, alguém poderia jogar uma pedra na Geni? Buarque... Este sim era homem, este tinha nome, este não me quiz e me deixou assim. Este era escritor sem fama, cantor desafinado, poeta de versos proibidos. Nunca soube entender por que ele nunca sorriu.
Acho que no fundo, gosto mesmo é de ser puta, adoro os corpos que em mim vive, e que neles sobrevivo. Esta relação é minha extensão, é algo que eu careço para manter o sangue pulsando. Tenho esta necessidade por natureza, e essa natureza segue entranhando e invadindo peitos que não são meus aflorando nos corações das jovens mocinhas que nas ruas se encontram. É diversão roubada , infância rasgada, poesia torta. Torta nos dizem ser e é assim que nos apresentamos.
Preciso me alimentar, preciso de fato te devorar. Tenho que te seduzir. Sou paga para você se sentir mais vivo. Em mim a vida se faz mais cara. Não é sempre que estou disponível, não é qualquer quantia que me leva, não me faço leilão, leitão servido à mesa pronto para degustação de todos. Tenho moral, fibra ética, noções civícas. afinal de contas sou puta, mas não sou otária...

Anjo

Beba-me em goles curtos
quero de você todo absurdo
não quero estar só
de você eu quero o pior.
Não tenho nome, dores ou curvas
tenho do mundo várias dúvidas
tenho no peito uma grande ilusão
estaria eu, sofrendo de paixão?
Sou sua corrida, sua afirmação, não chore
eu também sou o lírico dos nossos pensares
sou a dor da partida amarga
sou a frase da bebida que te embriaga.
sem roupa, pele ou olhos
quero você que me engole
tenho pelo corpo as marcas
da jornada mal caminhada,
liberdade retida
todo amor dessa vida.
Tenho mesmo razão,
ou penso ainda com o coração?
Não gosto
não guardo
não chato
não tenho
não largo
não para
não, é o que tem.
Encontre, desfaça-se
deixe a chuva chegar
deixe o amor narrar
deixe.
Deixando, deixo de ser só
encontro-te e não volto
corro para chegar,
Chegando, ficaria feliz em poder te ver(de novo).


"Este texto já estava aqui  há quase um ano, 
nunca o publiquei pq achava-o bonitinho demais.
 Hoje sei que bonitinho mesmo são 
atitudes e decisões que tomamos, 
são caminhos que decidimos trilhar,
 é ter a conciêcia de que é necessário amar. 
Talvez, os ventos que sopraram do lado de cá, 
tenham me impulsionado  a tomar 
algumas decisões necessárias. 
Antes que eu me esqueça, gostaria de desejar-te 
desta vez de longe, distante de toda a distância 
que nossa companheira foi, toda felicidade do 
mundo. Legal mesmo seria se isso nunca 
tivesse acontecido, se suas/minhas cartas 
nunca tivessem chegado, e todas as nossas 
risadas podem ser deletadas, 
mas tudo que tenho é um in box."

terça-feira, 3 de abril de 2012

Erros necessários


São Momentos ferozes onde a aproximação pode de fato determinar o fim de uma história que nem começou. Tenho pensamentos sombrios quando penso na chegada, porém o que assusta-me de fato é  a partida. Há um significado, uma codificação que criamos para entender ou ao menos tentar compreender tantas palavras, conversas, gestos e rostos. A comunicação é falha por natureza. A falta se faz presente e o meu mundo esta desabando a cada segundo. Sou falho. 

O sentimento, tênue se mostrou! Você de fato nunca dançou. Arrempodo-me porém de ter me mostrado tanto. Apareci demais. Errei[...] sabendo que não havia lugar para o erro, arrisquei e perdi. Queria mesmo era ter meu amigo de longe para aconselhar-me neste momento.

Não há baralhos, damas, ou oi. Não há mais nada, há um caminho que ou tomamos coragem para seguir, ou o melhor é terminar por aqui. Não temos tempo, não dá para ficar fingindo que é a vida é para sempre. Não somos príncipes, não temos castelos, não moramos em reinos. Não temos fadas madrinha ou varinhas mágica. De fato, não somos nada. Não temos nada. Nem se quer nos falamos. Eu, cansei. Você? Você tem algo que eu não sei dizer. Fascina-me o seu não entender, como quando sua sobrancelha sobe, seu olhos se dilatam, e sua boca inclina-se levemente para esquerda. Ou seria direita? Perco-me para falar-te. Tenho visitas à sala que não convidei. Durmo com vozes que eu nunca vi o rosto. Mas você será minha redenção para a maldição que a lua me lançou.

Eu preciso acreditar...

"Esta extensão tem que acabar. 
Ou acaba ou nos acabamos. 
Esse tempo incerto há de terminar. 
Ou termina ou não começamos.
Esta indiferença tem que aparecer. 
Ou aparece ou não me mostro.
Esta vida tem que seguir. 
Ou segue ou eu não seco..."