quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Esboço por teu olho

És linda face
pinta cara
que quando cara pinto
de muito longe
mostra espirito.
És toda sua
uma linda mistura
com tantas rugas
pertencentes
indecentes
de gente
por mais gente.
És uma só viagem
de puras paradas
pulgas estradas
hotel sem lavanda
e para almoço 
Piranhas.
Sou todo oposto
cravado ao te olhar
riscado em seu rosto
pede-me calma
dou-te meu gosto.
Que tu se escondas
levando-me em suas asas,
Porque
Se sou,
sou por ti,
sendo assim,
és por mim.
Já que
Dormindo estamos juntos
acordados por aí
Seremos uma só carne
para um mesmo sono...


terça-feira, 24 de julho de 2012

Então...

Então é isso, vamos tentar caminhar sozinhos.
Você não sorri com minhas piadas, não fala mais em cartas, já se contém à me beijar. 
Não sou mais seu príncipe, não morarei mais em seu castelo, 
vou embora e quanto as roupas, jogue fora, agora!
Não há mágoa, não há felicidade. 
O que há porem é um enorme vazio cheio de nada, 
cheio demais das coisas que você me deu, me tomou, e sem, mas ainda contendo, fiquei. 
Marisa não canta mais, ou melhor, canta, mas agora me encanto sozinho sem saber como farei quando ouvir "esqueça". 
Não, não se esqueça! 
Lembre-se de tudo, torturarei-te até que você perca cada neurônio de seu intelecto tão aguçado, com apenas algumas palavras:

"Eu poderia ter sido seu princepezinho, você minha flor.  

Teríamos um reino e seríamos felizes, 
mas ao invés disso, você simplesmente escolheu ser só fazendo-me de pó."

terça-feira, 17 de julho de 2012

Voltei

Sou todo avesso
corro 
mostro-me
mas nunca inteiro.
Sou todo exposto
por pele
cabelo 
ou rosto.
Não me arrisco
mas parado também não fico
não sou do rio
e ainda sim
posso afogar-te em mim.
Conto-te meus passos
rabisco os inventos em contos
mostro-te meus dentes
e como serpente
tu me picas
que pinica
que coço
que dói
que dó.
Sou todo menino
arisco
indeciso
frágil e decidido.
Quase inteiro
quase acabado
sou seu quase pulsar
seu inteiro imitar
o seu domdeamar.

segunda-feira, 2 de julho de 2012


Do Reparar


São doces, rosas avermelhadas

a timidez nitimida

em sua face é marcada

a rosa

em teu cravo, me encanta.

Agora;

quando sorri turvo

saindo de lado

de qualquer espaço,

tenho a certeza que gosto.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Aos fatos

Grito com coragem
a ousadia da rapaziada:
BRAVO!!!
Mas para eu, ainda é nada.
Na condição de olhante
de fora e avesso
não sirvo para isso
soa-me desespero.
Por querer aparecer
mostrar o que não tem
sem crescer ou morrer
sempre dizem amém!
Pobres garotos encenadores do passado
escondem-se no palco
perpetuando o legado.
Agora,
por mais que não gostem 
terei que repetir:
ACORDEM,
Ou terei que com a Fiócla
todos engolir...


"E se essa vida fosse minha, não temeria. Experimento tudo que posso e o que não der certo, arrisco no próximo. É verdade que não tenho muita paciência para ver qualquer coisa. Gosto das mais complexas, essas me encantam, como aquele casamento fabuloso..."

Mamãe Papai Vila - Eu Menino Via

Eu, criança arisca
brincava corria e comia
Mamãe o banho dava
noutra criança atentada.
Tinha pai
mas sem pai
o amor acontecia.
Era um vasto quintal
Mãos pés rosto
tudo afundado em barro.
Que bom era ser
em minha época garoto!
Todos limpos
Mãe Pai Crianças e Amigos
agrupados à celebrar
os encantos do luar,
Quem estava lá via sorriso
eu de cá,
hoje lembro rindo.
A lua se pôs 
a noite era de carta
Papai 
brigava
Mamãe
Chorava
E eu
em um canto
pela fresta olhando
tive medo:
Medo do alto tom
do escuro daquele momento
dos olhos de mamãe
do adeus de papai
que sem pai
amor 
por nós não tinha.
Assim dias depois
ele se foi
juntou as memórias da vida
na mala de minha tia.
É
o menino que em mim hábita
hoje se lembrou
e para tal vida na vila
ele retornou.


"Quando criança,  
queremos do muito saber, 
sem muito entender. 
Ontem por exemplo lembrei-me de um fato. 
Ele, o fato, escorreu pelo meu braço 
e desaguou em azul no caderno. 
Gosto deste tipo de escrita, 
desta que mostra alma e revela antigas feridas."


Do dois de um, daquele meu um para dois.

Ninguém chora sozinho
todos temos um cantinho
um lugar para pensar
no por que ser dividido.
Digo dividido 
pelo simples motivo
de amar por todos
ainda que torto,
pensar em dobro.
A escrita de um silêncio
desvenda o querer crescendo
o despertar de uma vida
que volta ferida
pelo encontros de dois 
que nunca chegou.
Tem dias que o vazio é constante
mesmo que um ame
há outro sempre distante
tem dias que eu tranco a porta
e o que eu quero
é estar de fora.
Ninguém pode amar sozinho
mas às vezes
pelo caminho choro,
por estar sempre
perdido...