sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Meio ela, meio ela mesma


Ela estava com o vestido meio aberto
parecia querer algo
algo bom
ou talvez apenas
o cheiro da noite.
Em verdade,
ela troleava com os passos
que ainda não havia dado
com as plantas que não havia plantado
com um sonho antes da noite.
Se por acaso
ela parasse frente a água
frente aos olhos d'alma
ou apenas defronte ao espelho,
ela perceberia ser janeiro
e não mais o ano inteiro.
Acreditem,
Ela estava com um vestido vermelho
meio aberto
meio ceio
meio olhos cerrados
meio desespero
meio cabelo enrolado
e a outra metade ao vento.
Ela nunca foi inteira,
sempre e para sempre
será a metade
dela mesma
sendo apenas
a metade do travesseiro
onde deita...

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Do gosto que o teu gostar me dá.

Gosto de devaneio serenos,
estes que
nos atrai, 
nos guia e nos explora
feito olhos em nu artístico.
De verdade
gosto e só gosto.
Tenho medo de pensar tanto
de deixar escapar o 
"dizer que te amo"
perder as chaves de casa
ou simplesmente esquecer o caminho.
Se isto acontecer
querido amigo
cabe dizer
que te tenho no peito
que um dia
já foi vizinho teu
forasteiro d'eu
as preocupações
de um possível adeus.
Este tempo fora
serviu para eu ser melhor 
[sem você]
mesmo sendo parte 
[de você]
mesmo nunca sabendo ser
[você]
mesmo transbordando a cada esquina 
rumo ao conflito.
Eu te perdoou por tudo:
os gritos surdos
os olhares mudos
ou os tapas sujos
a ausência confirmando presença!
Eu sinceramente espero chegar a tempo.
Sinceramente espero te ver mais perto
mas
se não der
fique sabendo:
Você foi e para sempre será o meu melhor e mais instigante devaneio lúcido!



Desta vez, ele decidiu 
escrever o que tinha de mais secreto, 
mais íntimo mais infantil. 
Desta vez, ele simplesmente 
assumiu que nunca cresceu, 
que já se desesperou e que há muito 
chora ao reconhecer o traço riscado 
na pele por quem também há muito 
não mais o procura... 
É, ele resolveu falar do pai!!!

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Um pedaço de noite, um bom pensar ao deitar

Deitado, esticado pelo espaço
entendendo cada pedaço
do teu vasto marco
estendendo-me
na premissa de tentar entender-te.
Parece que quando apaguei as luzes foi pra valer, foi pra você.
Olhando, frente a frente teus versos, cadernos, folhas e lápis
percebi ser retratáveis
aqueles velhos anéis que te dei
que no meu pensar
era a mais forte já criada simbologia 
para nosso estar.
É bem verdade que mudei,
também é verdade que me apaixonei
embora
isso pra você, não faça mais importância.
O importante mesmo meu amor
é estarmos bem
cada um com seu novo alguém
com seus novos papos
seus novos olhares
em nossos novos espaços...


É estranho perceber 
ou encarar a vida de frente. 
Por vezes jurei estar presente, 
mas hoje sei; 
Não se pode estar presente 
em algo que não nos cabe. 
Enfim, fomos e para sempre seremos: 
o incabível.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Guarda roupa de memória


Ainda preso pelos fios
da roupa recém comprada
-indago:
Pra onde vou se não mais me couberem?
Os fios coloridos, um a um
mão a mão
textura por textura,
mergulho-mim:
E quando estiverem fortes demais para eu rasgá-los,
posso deixar parar de crescer?
Nessas estranhas amarras
postas pelo ar cruel
das roupas vencidas
reintegro:
O que fazer com a grande quantidade de tecidos?
A primavera nem sempre é sustentável,
é necessária a mudança das sementes, flores e inclusive roupas,
é necessária as vistas para a mutação continua
fluxo mais puro que desagua em sorriso
ou no pior dos sentidos em lamúrios sofridos...
É necessário ser forte para deixar as asas arrastarem no chão
para depois decidi-las cortá-las ou não.
É necessário ser ave
e ficar para ver o espetáculo da vida
que passei e decidir carinhosamente chamar
de muda.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Flor de café

Mistura-se ardorosamente
com o cheiro que vem
com a música que toca
com a chuva que ainda não caiu,
Misturo-me por entre todas as coisas
apertadas e inclinadas
que ainda não dei nome
que ainda procuro conhecer
que ainda não chegaram com o vento que sopra.
Junto com o mesmo vento
misturo-me com a sopa, esta quente
queima-me a boca
que mais tarde
tende
a implorar, seu café
meu afagar
nosso encontrar.
De tão sumido
perdi o tom
as chaves de casa
e o almoço de um só,
voltou.
Espero misturar-me até o fim
até o nó
até  ser um só,
espero que seja doce
um pouco amargo
quem sabe, rara,
nossa flor de café!

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Ressalto 
aos quatros cantos 

de cimento tijolo ou canos
que eu me edificaria em ti

mesmo sabendo
que tu
tens abrigo em mim

            
               Pensando assim

               ainda ressalto;
               serei sua laje
               sua grama
               sua cobertura

               em Copacabana
              

                                    Ressoando
                                    berrando
                                    agitando toda maré nossa,
                                    todo o mar vermelho
                                    Todo esse nosso Rio
                                    de Janeiro à Janeiro.


                 Voltando a edificação
                 a planta, o alicerce e o vão

vamos erguer as paredes,
coloquemos também maçanetas
e tapetes para a recepção.
                                    Sou
                                         se 
                                           somos
                                         ou 
                                   se é
                                         se ser?


Falta-me as chaves

para adentrar mais
para arrombar as vezes
para ser presente
para permanecer em casa.


                                               Elas permanecerão

                                                 em baixo do verão
                                                   ainda que estejamos no inverno
                                                     e já tenhamos permeado pelo outono,

                                                        sinto, estamos edificando.



Uma dúvida:

Como saberei se caibo em ti?
Como saberei que poderei, sem restar duvidas


                          morar em seu latifúndio 

             particular 
infinito e ressoado.
       Há de saber aprender
                                     a morar
                             assim 
como
        e com você?


Tenho medo do incabível

                                  do intransferível
                                                       das casa que não podemos dar nomes
                                     das chopanas
                     que habitam 
                  um
              ser 
         só.


            Deságuo

                        ressuo
                                me assusto,
                                                  nada,







              ne
        nhu 
ma 
          casa
será
construída...

Uma saudade popular

Tava na janela
parado
olhando abéssa
todo o contorno
dos carros
inclusive seus transtornos.

eu tava perdido,
assustado 
feito passarinho
que não sabe voar,
Tipo esses que 
caem do ninho...

Tava na janela
vendo o trem chegar,
alguns acenavam,
outros só passavam,
tinha uns sorrindo,
outros desistindo,
tinha alguns voltando
e eu me indagando;

- Por quê não voar?

Tava na janela
com as horas presas
atrelada à fita amarela
que se estendia
quase noite 
quase dia
comigo ali parado 
transbordando em nostalgia,
bobeira minha...

Tava na janela
sem querer sair,
tava na janela
olhando a sentinela.

Eu estava na janela
do bonde
da vida, 

te espiando,
óh vida,

te esperando,
óh vida,

imaginando, como seria
se esse meu trem
fosse tua vinda!