sexta-feira, 27 de abril de 2012

Repare para reparar

Reparar o mal cometido
Repare, é dor sentida
Reparar o sol se pondo
Repare, o cabelo esta crescendo

Reparar as injustiças feitas
Repare, o mundo é mesmo pequeno
Reparar nossas palavras ditas
Repare, é vida contida.

Repare, são sentimentos perdidos
Reparar o planeta que grita
Repare, é amizade viva
Reparar essa saudade sentida.

Pare nos momento pequenos
Repasse a alegria da vida
Recomece à viver
Antes que a vida engula você.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Viva Vida Exprimida


Já que as flores do perdão não se abriram;
o peito se fechou

a boca se calou
os olhos permanecerão fechados.
O violão do rapaz toca desafinado
Sem tom a moça não canta

e a música naquela praça
Não mais há [...]

Esse mar de gente se pergunta;
Onde esta o amor admitido?
Aquela janela não abre
As ruas estão em pedra

As moças são velhas
As velas são lâmpadas 

A paz segue com grade.
Mas mal não terá!
A rotina não cessará,

a pressa não acabará.
Acabou mesmo o meu coração,
alguém notou?
Eta cara valente,
eta gente careta,
eta cartaz cool.

Essa vida anda muito pacata,
pacatez roubada, forçada:
IMPOSTA(...)
Paca      pessoa   pata

Vaca      idiota     galinha
Porco    vive        cachorro
Rato      sem        coelho
Jacaré   criar       peixe.

Além do desejo

Em um rabisco me mostro
no traço não vejo cor
essa escrita esta sem graça
suas rimas não tem valor.

O corpo deitado esta
acenando as mãos se mostram
as curvas bem desenhadas
Os dedos não apontam nada.

Seu sabor de vinho é
como vestido torto da menina
Que torto mostra o peito
E pra mim não mostra nada.

Tem azul em teus negros olhos
confundido esta meu coração
Mas é esse branco que escorre
que tira minha razão...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Toque-me

Venha cura
limpe a ferida 
que no peito 
sangra
nos olhos 
se mostra 
e na mão alfora
a flor para 
em mim nascer
erva 
para enlouquecer
aquele par de olhos
aquele amor de lábios
e que a reza
fiel seja
para que assim
o encontrar aconteça:
mais perto, 
perceba-me
mais longe 
pense-me
mais mundo
encontre-me
mais minas pra esse rio
navegue-me
Mais brilho em nosso amar
Desperta-te.

segunda-feira, 16 de abril de 2012


Oração à flor

Que os passos não se percam
a fé desapareça
e os encontros aconteçam.

Que as cartas sejam lidas/rasgadas
para que a prosa se torne poesia
 
Pela saudade desassossegada

Nossa amizade bandida
aflorada, nunca esquecida
Floresce pelos jardins do amor...

Bela flor é o nome que te rege
este novo sabor erege
nossos despertares à beira-lua.

Flor, em que fase estamos?
em que  estação paramos?
Porquê, ainda não nos encontramos?

Venha para sermos um
esqueça para que sejas sua

Reine, a flor obriga-te...

Amém

quarta-feira, 11 de abril de 2012

 Leve para que leve possa voar!

                                                            
                                                                                      

A tarde

implora um céu
a fita é leve e voa
mas voa mesmo o 
meu coração.
Sem vazão
a razão
daquele menino
confunde pés com mãos
e pelos passos
dentre os espaços
não se mostra,
presente.
A despedida que vem
revela-me:
amor sereno/companhia só
tarde de outono/menino faceiro
fruta mordida/indigestão certa
de minas que vira rio/mano que quer  só risos.
 



terça-feira, 10 de abril de 2012

 Prosa de Puta

Sou dessas que se deitam com qualquer um, senta-se com todos e nunca para de sorrir. Certa vez, guardei o mais puro sabor dos lábios quentes que eu inocentemente provoquei e violei. Esta é a única lembrança que tenho do amor. Caminhava todos os dias pela mesma avenida. Ela era larga e havia duas pistas. Em uma, os ônibus cheios de rostos sem semblantes, olhos sem brilhos, bocas secas e pernas das mais variadas espessuras cortava-a para cima. Os carro embalados pelo louco rítimo da cidade que não quer parar, mas que parava para mim, descia. Em meu andar quem sabia espiar reparava cada respiração diferente, cada passo sem seqüência, cada fita recebida por um cliente. Sou puta, cria da rua, menina que quer dinheiro para não crescer.
À cada cliente um nome, à cada toque uma reação minuciosamente ensaiada diante da bacia d'água que me refletia no centro da sala, para cada um, jeito estranho, particular, alheio mas meu à tratar. Tratando, recebia vários presentes; desde um corte de veludo à um ticket para o cinema. De cinema eu gostava. Sonhava com o dia em que minha estória se tornaria história, e lógico, nas telas de todo país ser apresentada. Não sou estrela! Ninguém retrata a vida de uma rapariga das ruas(...). Ninguém repara as dores, quando não são suas. Não sou mulher de todos por que gosto, sou mulher para todos os gosto. Disso eu digo, faço gosto.
Tenho cabelos negros, pardos, ruivos, loiros e castanho por todo corpo, corpo sem fronteiras, sem grandes incisões, mas com pêlos. Olhe bem para estas curvas, manchas, cicatrizes mal curadas, unhas pintadas e mãos delineadas, elas não me revelam, eu não permito. Os olhos, bom estes eu arranquei. Não é todos os dias que podemos ver com quem ou que estamos nos deitando. São muitos lugares à frequentar, partes à acalmar, olhares à ignorar, vidas para em um canto ou cesto deixar. Acha que ser de todos é fácil? Experimente passar três dias inteiros olhando para privada esperando uma parte sua voltar... A agonia é sem fim, hoje não vejo mais minhas lágrimas.
Romeu era perfeito, casado e sabia como agradar uma mulher em todos os sentidos, se é que você me entende. José, apesar de ser mais velho, tinha toda uma inesperiêcia que fascinava-me. Joab, era feito santo. Rezava agradecendo quando ía comer. Eu sempre soube como conseguir o alimento que me faltava. Eu sempre soube me fazer muito bem. Bem, é o que nunca fiz, Detesto estar de Chico, o vermelho que me escorre, inunda o chão, fere o cálice, atrasa minha roda viva. Por favor, alguém poderia jogar uma pedra na Geni? Buarque... Este sim era homem, este tinha nome, este não me quiz e me deixou assim. Este era escritor sem fama, cantor desafinado, poeta de versos proibidos. Nunca soube entender por que ele nunca sorriu.
Acho que no fundo, gosto mesmo é de ser puta, adoro os corpos que em mim vive, e que neles sobrevivo. Esta relação é minha extensão, é algo que eu careço para manter o sangue pulsando. Tenho esta necessidade por natureza, e essa natureza segue entranhando e invadindo peitos que não são meus aflorando nos corações das jovens mocinhas que nas ruas se encontram. É diversão roubada , infância rasgada, poesia torta. Torta nos dizem ser e é assim que nos apresentamos.
Preciso me alimentar, preciso de fato te devorar. Tenho que te seduzir. Sou paga para você se sentir mais vivo. Em mim a vida se faz mais cara. Não é sempre que estou disponível, não é qualquer quantia que me leva, não me faço leilão, leitão servido à mesa pronto para degustação de todos. Tenho moral, fibra ética, noções civícas. afinal de contas sou puta, mas não sou otária...