domingo, 4 de janeiro de 2015

Recuso qualquer tipo de abrigo
todo tipo de vizinho
se a condição
for permanecer no ninho.

Esquivo-me dos traços mesquinhos
desse rosto faminto
e banheiros de menino.

Embora eu me corte
corteje a própria morte
não estou disposto
a engolir de novo
tudo de mais porco
que de ti pode sair.

Espelindo os reflexos
falecidos espectros
vomitados na pia
na cozinha
e também nas vistas
recuo
e
choro.

Tentando me erguer
constituir-me sem você
vou percebendo
o quanto ainda segrego
o que ainda não espero
o que tenho medo
inclusive o próprio espelho.

As malas estão prontas
meu sorriso na porta
meus cabelos espalhados pelo chão
e meu choro na garganta
sem direção.
Só pra constar
as roupas permanecem sujas
a boca um pouco escura
os dedos levemente arranhados
e tudo isso
No mesmo armário
com seu sorriso estampado.


Diego Domingos - dos armários que a vida dá.

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