segunda-feira, 25 de junho de 2012

Do dois de um, daquele meu um para dois.

Ninguém chora sozinho
todos temos um cantinho
um lugar para pensar
no por que ser dividido.
Digo dividido 
pelo simples motivo
de amar por todos
ainda que torto,
pensar em dobro.
A escrita de um silêncio
desvenda o querer crescendo
o despertar de uma vida
que volta ferida
pelo encontros de dois 
que nunca chegou.
Tem dias que o vazio é constante
mesmo que um ame
há outro sempre distante
tem dias que eu tranco a porta
e o que eu quero
é estar de fora.
Ninguém pode amar sozinho
mas às vezes
pelo caminho choro,
por estar sempre
perdido...

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Longer

Si vous tombez se lever
ne sera pas par
Je déteste quand vous parlez
sonne faux pour moi
incorrect
en effet
immorale.
Em meus cadernos
 
"Tenho escrito coisas feias, de um garoto mau. Não as revelarei por aqui, mas estão comigo e disponíveis para quem quiser ler. Há coisas feias sobre os outros, coisas muito feias sobre eu e coisas terríveis sobre o mundo. Há muitas coisas feias, há coisas até sobre o nosso planeta!"

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Carta aberta

E enquanto você pensa no seu agora, desespero-me por quem está fora. Nunca conseguir ler seus traços, rabisco dados na janela, tempo perdido à espera! Lembro-me dos nossos primeiros papos, desconfiava que se tratava de um fraco, mas não, hoje sei que não passa de covardia. Covardia juvenil talvez, mas pesado demais para alguém que procura intensidade em qualquer mentira verdadeira. Tenho na verdade milhares de mentiras para te contar, continuar contando-lhe. Se este seu ouvido parasse para escutar, as várias verdades disfarçadas de pequenas mentiras arisca que eu jogo no vento para qualquer pescador, saberia que esta conversa pertence-te. Não mudo, não corro, não sou dos outros. Não te incomodarei, tocarei, não serei avesso. Esse desespero de tentar te entender, entender seus passos, caminhar por teus espaços entre os abraços, afoga-me cada vez mais e mas é o que procuro, um porém para tentar não te abandonar...

sábado, 9 de junho de 2012

Acorde
Eu não gosto do teu cheiro
Não gosto do teu sorriso
Eu não,
Gosto de ser livre.
Não gosto da tua postura
Eu não gosto da tua garganta
Eu não, 
Gosto da ruptura.
Não gosto desta veadagem
Não gosto do hétero pela metade
Não!
Gosto do todo sem uma única verdade.
Irrita-me esta classe
Dos hipócritas
Que calam nossa vaidade.
COMO SÃO TOLOS OS QUE NÃO DESPERTAM.
Já disse que, não gosto?
Repetirei;
Eu não gosto de tu, que dormes
Então, ACORDE!!!


"Um olhar meu á uma reportagem da TV."

Pegou em suas mãos como se fosse enxada
Se arrumou depressa como se não restasse tempo
Passou em seu quarto sua colônia barata
Atravessou a sala sem se quer uma fala
Mulher e filhos não o abraçou.

Olhou para os dois lados  ao cruzar a rua
fechou seu esbelto corpo quando pisou em falso
Deu uma gargalhada ali na virada.

Preencheu seu cartão na lotérica mais próxima
Saiu de lá achando que ia ficar rico
Avistou seu patrão chegar em seu carro esnobe
Encheu seu olhos d'Água ao lembrar que é pobre.

Colocou seu uniforme para ganhar o pão
todos os dias aquele pobre rapaz
Ajoelhavas se para pedir perdão.

Saiu do seu serviço todo revoltado
descobriu que de lá havia sido dispensado
Desesperou-se ao lembrar dos filhos
Chorou feito criança em dia de batismo.

Não sabia como ia falar para mulher
Apareceu na cozinha com a marmita e o talher
-Sente-se. Disse sua mulher.
Logo ele respondeu:
-Não, estou bem de pé.
Na face uma lágrima lhe escorria
Nas mãos não haviam nada para o jantar
Chorou mais uma vez, como se fosse crisma.

A pobre da mulher que ainda não sabia
Cozinhava as últimas batatas como iguarias
A mesa no jantar, ele desabou.

A mulher que chorava não acreditou
Os filhos vendo tudo, nada entenderam
A carta em seu bolso, no chão se fixou
A esposa pôs se a contar:
O pobre do marido fez da casa seu lar
contava com seu salario para esta divida quitar
Mas demitido foi e desesperado
O peito do rapaz trabalhador parou
No chão da sala de jantar
seu corpo ficou
Morto
Por um patrão
explorador.

Aos filhos de Abraão


Quero um tempo, não posso te roubar assim. Não sei se foi o vento que revirou os pensamentos ou somente a brisa da estação, sei que fiquei assim, saudoso deu, de um tempo para mim. As ruas desertas, os rápidos carros que vão e vêm, as meninas criando suas vidas em outras vidas, lembrarão-me de uma vida que já quiz esquecer um dia, a vida que deixei embalada para correr atrás de sonhos que, hoje são tormentos gostosos de um cotidiano inerte. Sinto que aprendo mais, à cada surpreendo-me com mais, mais de eu, de vida, de um pulsar que não imaginava existir. Sim, há vida naquelas ruas de pedras que parecem ser minha cina. 

Corrida inútil contra a ampulheta, assim defino minha estadia neste vão, na lacuna mal preenchida que um dia chamei de corpo. Não posso me desfazer do que hoje, é o meu instrumento mais próximo de Deus. Escuto o clamar dos anjos, estes tortos, não me escutam, não voam, não me deixam ir. Ando com a pressa de um exercito pronto para batalha, talvez perder seja o objetivo da noite. Sempre me encontrei de maneira muito segura, sabotava-me para não enxergar o processo que teria que viver, aprender e não estar certo. 

Esta noite, pela primeira vez, estou cego para o que me cegava, livrei-me das lâminas azuis, das fitas escondidas, e  dos vários diuréticos. Meu real peso não está na balança, não está nas roupas usadas, não está em minha mente. Infelizmente, meu peso, assim como minha estatura, estrutura ou paz interior está em sua boca, esta que por vezes já quiz invadir e fazer de minha. Sou as suas palavras personificadas, reflexo de seu espelho mais íntimo, ainda que, este minta para te mesmo. 

Ando pedindo esmolas aos filhos de Abraão, estes que por vezes são tão generosos, não me atendem, se quer deixam que eu fale. Sou o mendigo prospero de seu natal passado, aniversário de cristo, morto pelos incrédulos da terra santa. Sou o sinal de uma vida em ruínas, de uma metafísica esquecida, das palavras mal posicionadas, ou seriam intencionadas? Perco-me no entender da fé, na recusa da fidelidade, na traição de uma natureza própria, sim, eu sou aquele que, tu temes conhecer.

Não finja fazer parte de minha intimidade, tentando arrancar-me verdades, forjando uma lamentação que nunca existiu. uma dó de plástico irreciclável, deixe-me ser esquecido, assim como tantos Domingos, todos sempre só e sombrios. Não fale-me de luas ou estrelas, não repita-me versos de trepadeiras, eu não aceito a sua condição, do meu mundo eu não posso abrir mão. Seria falho, feio ou bizarro, deparar-me com sonhos alheios, impostos à eu. Eu não seria capaz de conviver com tamanha frustração.Então peço-lhe, encarecidamente que vá, atravesse a porta que nunca existiu e que me deixe só por esta noite. Só para pensar, errar, mendigar. Só para poder viver uma única vida, falida é verdade, mas minha.