segunda-feira, 25 de junho de 2012

Aos fatos

Grito com coragem
a ousadia da rapaziada:
BRAVO!!!
Mas para eu, ainda é nada.
Na condição de olhante
de fora e avesso
não sirvo para isso
soa-me desespero.
Por querer aparecer
mostrar o que não tem
sem crescer ou morrer
sempre dizem amém!
Pobres garotos encenadores do passado
escondem-se no palco
perpetuando o legado.
Agora,
por mais que não gostem 
terei que repetir:
ACORDEM,
Ou terei que com a Fiócla
todos engolir...


"E se essa vida fosse minha, não temeria. Experimento tudo que posso e o que não der certo, arrisco no próximo. É verdade que não tenho muita paciência para ver qualquer coisa. Gosto das mais complexas, essas me encantam, como aquele casamento fabuloso..."

Mamãe Papai Vila - Eu Menino Via

Eu, criança arisca
brincava corria e comia
Mamãe o banho dava
noutra criança atentada.
Tinha pai
mas sem pai
o amor acontecia.
Era um vasto quintal
Mãos pés rosto
tudo afundado em barro.
Que bom era ser
em minha época garoto!
Todos limpos
Mãe Pai Crianças e Amigos
agrupados à celebrar
os encantos do luar,
Quem estava lá via sorriso
eu de cá,
hoje lembro rindo.
A lua se pôs 
a noite era de carta
Papai 
brigava
Mamãe
Chorava
E eu
em um canto
pela fresta olhando
tive medo:
Medo do alto tom
do escuro daquele momento
dos olhos de mamãe
do adeus de papai
que sem pai
amor 
por nós não tinha.
Assim dias depois
ele se foi
juntou as memórias da vida
na mala de minha tia.
É
o menino que em mim hábita
hoje se lembrou
e para tal vida na vila
ele retornou.


"Quando criança,  
queremos do muito saber, 
sem muito entender. 
Ontem por exemplo lembrei-me de um fato. 
Ele, o fato, escorreu pelo meu braço 
e desaguou em azul no caderno. 
Gosto deste tipo de escrita, 
desta que mostra alma e revela antigas feridas."


Do dois de um, daquele meu um para dois.

Ninguém chora sozinho
todos temos um cantinho
um lugar para pensar
no por que ser dividido.
Digo dividido 
pelo simples motivo
de amar por todos
ainda que torto,
pensar em dobro.
A escrita de um silêncio
desvenda o querer crescendo
o despertar de uma vida
que volta ferida
pelo encontros de dois 
que nunca chegou.
Tem dias que o vazio é constante
mesmo que um ame
há outro sempre distante
tem dias que eu tranco a porta
e o que eu quero
é estar de fora.
Ninguém pode amar sozinho
mas às vezes
pelo caminho choro,
por estar sempre
perdido...

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Longer

Si vous tombez se lever
ne sera pas par
Je déteste quand vous parlez
sonne faux pour moi
incorrect
en effet
immorale.
Em meus cadernos
 
"Tenho escrito coisas feias, de um garoto mau. Não as revelarei por aqui, mas estão comigo e disponíveis para quem quiser ler. Há coisas feias sobre os outros, coisas muito feias sobre eu e coisas terríveis sobre o mundo. Há muitas coisas feias, há coisas até sobre o nosso planeta!"

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Carta aberta

E enquanto você pensa no seu agora, desespero-me por quem está fora. Nunca conseguir ler seus traços, rabisco dados na janela, tempo perdido à espera! Lembro-me dos nossos primeiros papos, desconfiava que se tratava de um fraco, mas não, hoje sei que não passa de covardia. Covardia juvenil talvez, mas pesado demais para alguém que procura intensidade em qualquer mentira verdadeira. Tenho na verdade milhares de mentiras para te contar, continuar contando-lhe. Se este seu ouvido parasse para escutar, as várias verdades disfarçadas de pequenas mentiras arisca que eu jogo no vento para qualquer pescador, saberia que esta conversa pertence-te. Não mudo, não corro, não sou dos outros. Não te incomodarei, tocarei, não serei avesso. Esse desespero de tentar te entender, entender seus passos, caminhar por teus espaços entre os abraços, afoga-me cada vez mais e mas é o que procuro, um porém para tentar não te abandonar...

sábado, 9 de junho de 2012

Acorde
Eu não gosto do teu cheiro
Não gosto do teu sorriso
Eu não,
Gosto de ser livre.
Não gosto da tua postura
Eu não gosto da tua garganta
Eu não, 
Gosto da ruptura.
Não gosto desta veadagem
Não gosto do hétero pela metade
Não!
Gosto do todo sem uma única verdade.
Irrita-me esta classe
Dos hipócritas
Que calam nossa vaidade.
COMO SÃO TOLOS OS QUE NÃO DESPERTAM.
Já disse que, não gosto?
Repetirei;
Eu não gosto de tu, que dormes
Então, ACORDE!!!