sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Vai passar ou é passagem?


Um pássaro pousou em mim.
Passou-me e me contorna.
Reclama de sede e
de vontade de amar.

Passa e me implora,
implora meu carinho
torto
que de alguma forma
se acerta
e o atinge
feito vento frio em saída de banho.

Os mistérios desta ave
confunde meus olhos
turvos,
minha dança de menino
e o nosso disfarçar já arruinado.

Esta ave que raramente canta
agora me encanta
sem mais nem menos
sem por que ou
pra quem.

Ave, responda-me:
É coisa minha ou coisa nossa?
Quando deixo meus dedos tocarem os seus ao final de um ato, você sente?





terça-feira, 23 de junho de 2015

A associação das imagens narrativas na vida prática do sujeito...

[Exercício poético: da memória à literatura.]

Parece
que a fé
que trazia
no pé,
escorregou
e foi parar
no corredor.

Minha escola
era
um lugar
frio
e de poucos amigos.
Na cantina
tudo
era caro
e eu
se quer
tinha sapatos!

No corredor
certa vez
um senhor
me parou.
Pingou-me um ponto
e com a vassoura
narrou:

Menino, seus cabelos não negam
sua cintura, te entrega!
Acho bom pra sala voltar,
ou mais tarde, seu presente será lamentar.

Apesar de novo
eu, um menino
bobo,
no senhor
botei apreço.
Sempre tive ouvido bom
para quem
conseguisse
prender
minha atenção.

Eram fundas
e sinceras,
as palavras declamadas.
Aquele senhor
com a
vassoura na mão,
me viu antes de mim.

Antes de mais nada
ele me fez uma profecia.
Narrou minha própria vida
a vida
que eu se quer tinha.

A escola
apesar de fria
das poucas bolas
e da cantina,
sempre foi
o canto
dos meus sonhos
secretos.

Foi da escola
que fugi,
para escola
que menti,
na escola
me virei
e pela escola
prossegui.

Hoje, os dia se passaram
e meu canto
agora é outro,
tem mais garotos
e menos inocência.

Hoje meu canto
é de passarinho.
Passarinho de um ninho só,
de noites quentes
e dias de sossego.

Hoje, minha escola é a vida,
e os meus erros são meus professores,
Hoje me lembrando,
a vida,
às vezes,
parece ser mais fria
do que a
antiga escolinha.

domingo, 31 de maio de 2015

Dentre nós

Entre a linha e a agulha
Há um monte de coisas
Minhas. 
Entre as agulhas
E as minhas linhas
Sobrevivem histórias suas.

Nessa múltipla
Conquista, uma pista, clareia a praia fina de um aeroporto
distante.
Há bagagens, que não minhas, espalhadas pelo saguão.
Pelo chão inteiro há pedaços de mim, dos meus sorrisos e das minhas pausas.
Das pausas, eu retiro apenas o som. É caótico, me faz desabar.
Mas, hoje. Hoje a felicidade resolveu me visitar.
Revirou minha casa depois de uma tensa manhã.
Um papo bom, um mundo agradável e diversas bizarraces reveladas sem pudor.
O som, da pausa desse momento, eu quero guardar. 
Guardar pra sempre, para lembrar o quanto pode ser bom
a epfania de momentos pacíficos.


Entre a linha e  agulha, há e sempre haverá, uma rota. Vários percursos de ídas e vindas. Há uma volta inteira. Há sempre muito de nós.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Araci que te reparo


Aperta-te como um sinto mal posto
expondo o colosso grosso
que perpassa a manga
da blusa, manchando toda a gravata.

Escorre-me feito pelo no peito
desejo no rosto
costas de Ballet
e olhos que me quer.

Menino, cuidado comigo
sou todo bicho

bicha

anarquista.

Bicho, na esquina
de baixo
do porta retrato 
Há contas que precisão 
serem pagas.

Ao lado,
em cima da cômoda
há contas vencidas,
e digitais esquecidas.

Bicho, ainda tenho seu batom
no rosto que não tem dono
no punho cerrado de fome
no amanhecer perdido de dois...

Encanta-me como tudo vira
como a lua parece menina
e de perto
o sol também.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Recuso qualquer tipo de abrigo
todo tipo de vizinho
se a condição
for permanecer no ninho.

Esquivo-me dos traços mesquinhos
desse rosto faminto
e banheiros de menino.

Embora eu me corte
corteje a própria morte
não estou disposto
a engolir de novo
tudo de mais porco
que de ti pode sair.

Espelindo os reflexos
falecidos espectros
vomitados na pia
na cozinha
e também nas vistas
recuo
e
choro.

Tentando me erguer
constituir-me sem você
vou percebendo
o quanto ainda segrego
o que ainda não espero
o que tenho medo
inclusive o próprio espelho.

As malas estão prontas
meu sorriso na porta
meus cabelos espalhados pelo chão
e meu choro na garganta
sem direção.
Só pra constar
as roupas permanecem sujas
a boca um pouco escura
os dedos levemente arranhados
e tudo isso
No mesmo armário
com seu sorriso estampado.


Diego Domingos - dos armários que a vida dá.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Voo raso.

Precipitei-me.
Não pedi licença, indaguei:
-Retruco sua posição.
Houve um silêncio branco feito açúcar.
Não adianta andar 
se não são suas pernas que caminharão.
Percebi:
Minhas asas.
A asa esquerda
se parece
um pouco com a direita
que
as penas de uma caem mais rápido que as penas da outra.
Asas:
a esquerda
e a direita.
Lado a lado
a concretizar o primeiro par de meu corpo.
Harmonia dicotomicamente exata.
Muito parecida com minhas pernas.
tanto esquerda quanto a direita.
Sem percepções: essas são concretas demais.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Uma pausa

Enfim 
foi-se.
livre e silencioso
como sempre fostes.

Rapidamente;
-mãos para o alto.
instintivamente,
pedaços para todos os lados.

No ar que paramos
reverberamos
sufocando-nos 
e as pausas, lentamente, ditaram
o segregar
dos homens, embora o jeans de um, sempre, fosse  maior.

Docemente, desejo-lhe todo o outono.
Secretamente, o encontro dos nossos olhos.
Ardentemente, todos os nossos segredos, mas de longe, todos os nossos silêncios.