sexta-feira, 25 de março de 2016

Do fundo da minha memória

Vi uma pianista
nua
Na beira da escada.
Pela sacada, encatava a seco
o maestro
E seu jazz tocado ao avesso.

Em seu vestido
Nota-se:
ônibus
drogas
localização
E fuga.

Tinha um encontro,
no braços, cortes.

As duas. Linda, linda.

Tinha mãos, pés, braços e desejo.
Tinha tesão, nojo e um pouco de medo.
Tinha rosto, gosto, busto e peitos.
Tinha sonhos, traumas, apelo e segredos.

Ao certo ninguém nunca soube.

-Ninguém nunca sobe!

Ninguém nunca saberá.



sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Vai passar ou é passagem?


Um pássaro pousou em mim.
Passou-me e me contorna.
Reclama de sede e
de vontade de amar.

Passa e me implora,
implora meu carinho
torto
que de alguma forma
se acerta
e o atinge
feito vento frio em saída de banho.

Os mistérios desta ave
confunde meus olhos
turvos,
minha dança de menino
e o nosso disfarçar já arruinado.

Esta ave que raramente canta
agora me encanta
sem mais nem menos
sem por que ou
pra quem.

Ave, responda-me:
É coisa minha ou coisa nossa?
Quando deixo meus dedos tocarem os seus ao final de um ato, você sente?





terça-feira, 23 de junho de 2015

A associação das imagens narrativas na vida prática do sujeito...

[Exercício poético: da memória à literatura.]

Parece
que a fé
que trazia
no pé,
escorregou
e foi parar
no corredor.

Minha escola
era
um lugar
frio
e de poucos amigos.
Na cantina
tudo
era caro
e eu
se quer
tinha sapatos!

No corredor
certa vez
um senhor
me parou.
Pingou-me um ponto
e com a vassoura
narrou:

Menino, seus cabelos não negam
sua cintura, te entrega!
Acho bom pra sala voltar,
ou mais tarde, seu presente será lamentar.

Apesar de novo
eu, um menino
bobo,
no senhor
botei apreço.
Sempre tive ouvido bom
para quem
conseguisse
prender
minha atenção.

Eram fundas
e sinceras,
as palavras declamadas.
Aquele senhor
com a
vassoura na mão,
me viu antes de mim.

Antes de mais nada
ele me fez uma profecia.
Narrou minha própria vida
a vida
que eu se quer tinha.

A escola
apesar de fria
das poucas bolas
e da cantina,
sempre foi
o canto
dos meus sonhos
secretos.

Foi da escola
que fugi,
para escola
que menti,
na escola
me virei
e pela escola
prossegui.

Hoje, os dia se passaram
e meu canto
agora é outro,
tem mais garotos
e menos inocência.

Hoje meu canto
é de passarinho.
Passarinho de um ninho só,
de noites quentes
e dias de sossego.

Hoje, minha escola é a vida,
e os meus erros são meus professores,
Hoje me lembrando,
a vida,
às vezes,
parece ser mais fria
do que a
antiga escolinha.

domingo, 31 de maio de 2015

Dentre nós

Entre a linha e a agulha
Há um monte de coisas
Minhas. 
Entre as agulhas
E as minhas linhas
Sobrevivem histórias suas.

Nessa múltipla
Conquista, uma pista, clareia a praia fina de um aeroporto
distante.
Há bagagens, que não minhas, espalhadas pelo saguão.
Pelo chão inteiro há pedaços de mim, dos meus sorrisos e das minhas pausas.
Das pausas, eu retiro apenas o som. É caótico, me faz desabar.
Mas, hoje. Hoje a felicidade resolveu me visitar.
Revirou minha casa depois de uma tensa manhã.
Um papo bom, um mundo agradável e diversas bizarraces reveladas sem pudor.
O som, da pausa desse momento, eu quero guardar. 
Guardar pra sempre, para lembrar o quanto pode ser bom
a epfania de momentos pacíficos.


Entre a linha e  agulha, há e sempre haverá, uma rota. Vários percursos de ídas e vindas. Há uma volta inteira. Há sempre muito de nós.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Araci que te reparo


Aperta-te como um sinto mal posto
expondo o colosso grosso
que perpassa a manga
da blusa, manchando toda a gravata.

Escorre-me feito pelo no peito
desejo no rosto
costas de Ballet
e olhos que me quer.

Menino, cuidado comigo
sou todo bicho

bicha
e 
anarquista.

Bicho, na esquina
de baixo
do porta retrato 
Há contas que precisão 
serem pagas.

Ao lado,
em cima da cômoda
há contas vencidas,
e digitais esquecidas.

Bicho, ainda tenho seu batom
no rosto que não tem dono
no punho cerrado de fome
no amanhecer perdido de dois...

Encanta-me como tudo vira
como a lua parece menina
e de perto
o sol também.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Recuso qualquer tipo de abrigo
todo tipo de vizinho
se a condição
for permanecer no ninho.

Esquivo-me dos traços mesquinhos
desse rosto faminto
e banheiros de menino.

Embora eu me corte
corteje a própria morte
não estou disposto
a engolir de novo
tudo de mais porco
que de ti pode sair.

Espelindo os reflexos
falecidos espectros
vomitados na pia
na cozinha
e também nas vistas
recuo
e
choro.

Tentando me erguer
constituir-me sem você
vou percebendo
o quanto ainda segrego
o que ainda não espero
o que tenho medo
inclusive o próprio espelho.

As malas estão prontas
meu sorriso na porta
meus cabelos espalhados pelo chão
e meu choro na garganta
sem direção.
Só pra constar
as roupas permanecem sujas
a boca um pouco escura
os dedos levemente arranhados
e tudo isso
No mesmo armário
com seu sorriso estampado.


Diego Domingos - dos armários que a vida dá.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Voo raso.

Precipitei-me.
Não pedi licença, indaguei:
-Retruco sua posição.
Houve um silêncio branco feito açúcar.
Não adianta andar 
se não são suas pernas que caminharão.
Percebi:
Minhas asas.
A asa esquerda
se parece
um pouco com a direita
e 
que
as penas de uma caem mais rápido que as penas da outra.
Asas:
a esquerda
e a direita.
Lado a lado
a concretizar o primeiro par de meu corpo.
Harmonia dicotomicamente exata.
Muito parecida com minhas pernas.
tanto esquerda quanto a direita.
Sem percepções: essas são concretas demais.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Uma pausa

Enfim 
foi-se.
livre e silencioso
como sempre fostes.

Rapidamente;
-mãos para o alto.
instintivamente,
pedaços para todos os lados.

No ar que paramos
reverberamos
sufocando-nos 
e as pausas, lentamente, ditaram
o segregar
dos homens, embora o jeans de um, sempre, fosse  maior.

Docemente, desejo-lhe todo o outono.
Secretamente, o encontro dos nossos olhos.
Ardentemente, todos os nossos segredos, mas de longe, todos os nossos silêncios.

domingo, 20 de abril de 2014

Sábia pela manhã


Se eu chorar
Não se espante
Não se levante
Seja apenas elegante.
Trague todo meu cigarro
Acelere o meu carro
Bata em minha janela
Só não espere-me em sua escada.
Ao descer em minha vida, repare
Nestes dias meio mesquinhos
Nós feito passarinhos
voando entre outros ninhos.
Ao descer em nossa árvore
Jaborandi pela metade
Reparei em todos os detalhes
Todos os retratos, inclusive os retardados....
Quisera eu ser passarinho, seu vizinho e para sempre seu namoradinho.
Oh vida, corrida, comprida por kilometragens, óh vida, cumprimento-te feito  o sabia cumprimenta os raios de sol pela manhã.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Mariposa


Sabe quando a gente liga para uma pessoa 
espera tanto tempo e o tempo vooa,
Quando a gente engasga ao dizer duas palavras; Te amo?
Sabe quando a gente fala até, correndo e brincando a pé
em estradas que a gente não conhece bem, 
mas a pessoa caminha tão bem do seu lado que, 
acaba te dizendo:
Te amo, também?

Sabe quando trocamos mensagens bobas,
as horas passam atoa,
quando um sorriso diz:
Estamos de boa?
Pois é, 
este estado pleno nos faz uma referência, 
nos indica a descoberta de uma nova ciência, 
faz florescer qualquer flor, 
desacreditar na dor. 
É isso aí, 
quero para sempre ser esta pessoa, 
brincar correr dançar rir atoa, 
olhar para o seu rio e ser dele a mariposa.



Com todo carinho, com todo amor, 
com tudo o que de melhor poder haver. 
Para quem eu escrevi, para quem eu escrevo, 
para as pessoas que me encantam de uma meneira geral. 
Gostaria de deixar claro que o amor é lindo, 
tem nome e sobrenome e está sempre a procura de um abrigo. 
Não o deixe escapar, 
não faça com seu peito o que você faz da sua vida, 
nunca pulse se não for verdadeiro. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Amanda

Ela estava vomitando amor
no beco da esquina.
Ela estava levemente embriagada.

Alterada por sua condição
levou as mãos à cabeça.
Soltou-as rápido, eram pesadas demais para continuar segurando.

Rapidamente, ainda vomitando, levou uma das mãos à cintura,
a outra, se apoiou no muro do varal.
Era uma vila.

Ela ainda vomitava amor,
acho que se intoxicou.
Só amou, amou e amou.

Ela não era vacinada
morava afastada.
Era uma vila, mas havia mais ratos que vizinhos.

Ela era a menina dos olhos
a maninha dos outros.
Ela era.

Ela nunca parou de vomitar amor
pegou uma cadeira.
Continuou, amando.

Ela era Amanda.
No muro do beco da esquina
Vomitando a própria Amada, todos os dias.


sábado, 9 de novembro de 2013

De Domingos ao sábado

Uma nota,  notas? 
És tudo por nós, por uma noite
por tudo que parte
parte a parte
partindo...
Neste fluxo insano
quase devorador,
escrevo:
Se passares,
notarás o quanto tudo passa
sem ao menos notarmos. 
Depois de lido
reintegro;
Somos tudo que somos ser.
Não somos isso ou aquilo.
Somos nós mesmos, ainda que,
divididos.
Se passar do ponto, não se espante
é normal não sabermos onde descer.
Se ficares preso ao ponto, não se espante!
Parece ser um longa feito de curtas
uma carta escrita as escuras
uma noite sem nenhuma estrela
ou coisas aleatórias da minha cabeça.
Notas? 
Sou quase um adolescente com seu diário
uma "Anne" com seus desabafos
uma "Clarice" sendo a própria noite
Ou uma "Marisa" com seu infinito particular.
És tudo tu!
És tudo o que somos.
E o que somos?
Bom, só sendo para sabermos reconhecer se somos.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Meio ela, meio ela mesma


Ela estava com o vestido meio aberto
parecia querer algo
algo bom
ou talvez apenas
o cheiro da noite.
Em verdade,
ela troleava com os passos
que ainda não havia dado
com as plantas que não havia plantado
com um sonho antes da noite.
Se por acaso
ela parasse frente a água
frente aos olhos d'alma
ou apenas defronte ao espelho,
ela perceberia ser janeiro
e não mais o ano inteiro.
Acreditem,
Ela estava com um vestido vermelho
meio aberto
meio ceio
meio olhos cerrados
meio desespero
meio cabelo enrolado
e a outra metade ao vento.
Ela nunca foi inteira,
sempre e para sempre
será a metade
dela mesma
sendo apenas
a metade do travesseiro
onde deita...

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Do gosto que o teu gostar me dá.

Gosto de devaneio serenos,
estes que
nos atrai, 
nos guia e nos explora
feito olhos em nu artístico.
De verdade
gosto e só gosto.
Tenho medo de pensar tanto
de deixar escapar o 
"dizer que te amo"
perder as chaves de casa
ou simplesmente esquecer o caminho.
Se isto acontecer
querido amigo
cabe dizer
que te tenho no peito
que um dia
já foi vizinho teu
forasteiro d'eu
as preocupações
de um possível adeus.
Este tempo fora
serviu para eu ser melhor 
[sem você]
mesmo sendo parte 
[de você]
mesmo nunca sabendo ser
[você]
mesmo transbordando a cada esquina 
rumo ao conflito.
Eu te perdoou por tudo:
os gritos surdos
os olhares mudos
ou os tapas sujos
a ausência confirmando presença!
Eu sinceramente espero chegar a tempo.
Sinceramente espero te ver mais perto
mas
se não der
fique sabendo:
Você foi e para sempre será o meu melhor e mais instigante devaneio lúcido!



Desta vez, ele decidiu 
escrever o que tinha de mais secreto, 
mais íntimo mais infantil. 
Desta vez, ele simplesmente 
assumiu que nunca cresceu, 
que já se desesperou e que há muito 
chora ao reconhecer o traço riscado 
na pele por quem também há muito 
não mais o procura... 
É, ele resolveu falar do pai!!!

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Um pedaço de noite, um bom pensar ao deitar

Deitado, esticado pelo espaço
entendendo cada pedaço
do teu vasto marco
estendendo-me
na premissa de tentar entender-te.
Parece que quando apaguei as luzes foi pra valer, foi pra você.
Olhando, frente a frente teus versos, cadernos, folhas e lápis
percebi ser retratáveis
aqueles velhos anéis que te dei
que no meu pensar
era a mais forte já criada simbologia 
para nosso estar.
É bem verdade que mudei,
também é verdade que me apaixonei
embora
isso pra você, não faça mais importância.
O importante mesmo meu amor
é estarmos bem
cada um com seu novo alguém
com seus novos papos
seus novos olhares
em nossos novos espaços...


É estranho perceber 
ou encarar a vida de frente. 
Por vezes jurei estar presente, 
mas hoje sei; 
Não se pode estar presente 
em algo que não nos cabe. 
Enfim, fomos e para sempre seremos: 
o incabível.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Guarda roupa de memória


Ainda preso pelos fios
da roupa recém comprada
-indago:
Pra onde vou se não mais me couberem?
Os fios coloridos, um a um
mão a mão
textura por textura,
mergulho-mim:
E quando estiverem fortes demais para eu rasgá-los,
posso deixar parar de crescer?
Nessas estranhas amarras
postas pelo ar cruel
das roupas vencidas
reintegro:
O que fazer com a grande quantidade de tecidos?
A primavera nem sempre é sustentável,
é necessária a mudança das sementes, flores e inclusive roupas,
é necessária as vistas para a mutação continua
fluxo mais puro que desagua em sorriso
ou no pior dos sentidos em lamúrios sofridos...
É necessário ser forte para deixar as asas arrastarem no chão
para depois decidi-las cortá-las ou não.
É necessário ser ave
e ficar para ver o espetáculo da vida
que passei e decidir carinhosamente chamar
de muda.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Flor de café

Mistura-se ardorosamente
com o cheiro que vem
com a música que toca
com a chuva que ainda não caiu,
Misturo-me por entre todas as coisas
apertadas e inclinadas
que ainda não dei nome
que ainda procuro conhecer
que ainda não chegaram com o vento que sopra.
Junto com o mesmo vento
misturo-me com a sopa, esta quente
queima-me a boca
que mais tarde
tende
a implorar, seu café
meu afagar
nosso encontrar.
De tão sumido
perdi o tom
as chaves de casa
e o almoço de um só,
voltou.
Espero misturar-me até o fim
até o nó
até  ser um só,
espero que seja doce
um pouco amargo
quem sabe, rara,
nossa flor de café!

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Ressalto 
aos quatros cantos 

de cimento tijolo ou canos
que eu me edificaria em ti

mesmo sabendo
que tu
tens abrigo em mim

            
               Pensando assim

               ainda ressalto;
               serei sua laje
               sua grama
               sua cobertura

               em Copacabana
              

                                    Ressoando
                                    berrando
                                    agitando toda maré nossa,
                                    todo o mar vermelho
                                    Todo esse nosso Rio
                                    de Janeiro à Janeiro.


                 Voltando a edificação
                 a planta, o alicerce e o vão

vamos erguer as paredes,
coloquemos também maçanetas
e tapetes para a recepção.
                                    Sou
                                         se 
                                           somos
                                         ou 
                                   se é
                                         se ser?


Falta-me as chaves

para adentrar mais
para arrombar as vezes
para ser presente
para permanecer em casa.


                                               Elas permanecerão

                                                 em baixo do verão
                                                   ainda que estejamos no inverno
                                                     e já tenhamos permeado pelo outono,

                                                        sinto, estamos edificando.



Uma dúvida:

Como saberei se caibo em ti?
Como saberei que poderei, sem restar duvidas


                          morar em seu latifúndio 

             particular 
infinito e ressoado.
       Há de saber aprender
                                     a morar
                             assim 
como
        e com você?


Tenho medo do incabível

                                  do intransferível
                                                       das casa que não podemos dar nomes
                                     das chopanas
                     que habitam 
                  um
              ser 
         só.


            Deságuo

                        ressuo
                                me assusto,
                                                  nada,







              ne
        nhu 
ma 
          casa
será
construída...

Uma saudade popular

Tava na janela
parado
olhando abéssa
todo o contorno
dos carros
inclusive seus transtornos.

eu tava perdido,
assustado 
feito passarinho
que não sabe voar,
Tipo esses que 
caem do ninho...

Tava na janela
vendo o trem chegar,
alguns acenavam,
outros só passavam,
tinha uns sorrindo,
outros desistindo,
tinha alguns voltando
e eu me indagando;

- Por quê não voar?

Tava na janela
com as horas presas
atrelada à fita amarela
que se estendia
quase noite 
quase dia
comigo ali parado 
transbordando em nostalgia,
bobeira minha...

Tava na janela
sem querer sair,
tava na janela
olhando a sentinela.

Eu estava na janela
do bonde
da vida, 

te espiando,
óh vida,

te esperando,
óh vida,

imaginando, como seria
se esse meu trem
fosse tua vinda!


quarta-feira, 19 de junho de 2013

Junta Brasil

Pólvora.
povoa-me
do povo ao íntimo
do acordo ao grito.
Manifesto-me
por manisfestarem tão fortemente
abrindo póros
cabeça e mente
e sem mentir: Desafiam.
O grande entorno
entorna nos berros
leais
legais
REAIS.
A aclamação pública
os discursos inventados
os incentivos dados
não nos calam,
nos atiçam
ouriçam até o último pêlo
até o mais profundo pulsar
ou o mais profano constatar.
Por constatação
vou em frente
com lenço
rumo e documentos
avante, à vanguarda
com o direcionamento traçado.
Há erros?
Sim!
Somos violentos?
Talvez!
Temos caras?
Sim. Mas desta vez, não mais pintadas
ainda sufocadas
é verdade
mas sem miragem
trazemos nos olhos
o ímpeto mais velador:
O gozo pleno da liberdade em seu fulgor.
Ainda há cachorros em correntes
nas portas, janelas e congresso
ainda há gases
pimenta
e borrachas que tentam apagar o manifesto
mas isso não nos intimada
não mais...
Procure novas maneiras de repressão
porque o povo
gritou
acordou
e concordou:
É JUNTOS QUE NOSSOS BRASIL
e juntos, permaneceremos de pé
aplaudindo a moçada.
É o que se quer
é o que se pede!