sábado, 25 de fevereiro de 2012

É ele!


Do mato percebe-se um choro incomum à ouvidos alheios, como de quem brinca em meio aos sertanejos. Do cheiro, agora novo, entende-se o por que do gosto da boca, ele nunca saberia se não soubesse mentir. Da taça sente-se um  ardor saboroso, um desejo além de qualquer juízo de conduta. No peito uma brasa queima sem pena para relatar, sem papel para anotar, sem dores à adotar. Nos olhos se vê, não há delator, porteiro, pintor ou diretor. Nas mãos carrega uma nova flor, dessa que de quando em vez, em branco e preto nasce em qualquer canto ou em qualquer lugar. Nos pés não há mais calos, não há calor, simplesmente não tem valor. Ele descobriu que podia voar, assim, de que valia caminhar? Nos dentes ele carrega primavera/outono, e esse misto é encantador, renova à cada dia uma marca expressa na pele já rasgada e sedenta. Nos braços não tem rejeição, perdão ou libertação, é nulo, não é preto e nem branco. 
A brisa mostra o que não carregou, o que faltou;
Cartas abertas, chaves largadas, um café. O céu implora uma nova cor, não faz sentido ser se tudo já mudou. Da chuva ele não corre, agora quer se molhar, alagar feridas antigas, com água pura que caí de lá.
Em sua dança particular já não entra quem só sabe espiar,  não repara mudanças fora de olhar, quem escreve para alguém que nunca vai chegar. Na pintura, ele quer mais cor, uma aquarela inteira em tela branca. Na música ele implora por novos acordes, notas jamais tocadas, rítimos nunca explorados , melodia de quem não se faz refém. Do teatro ele espera um mar insano. Na literatura ele encontra sua paz, como Clarice, querida por tantas tormentações.

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